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Comandante Deu Um Tapa Em Uma Capitã Diante De 1.040 Militares — Mas Não Sabia Quem Ela Realmente Era

A arma de Caio permaneceu apontada para mim.

Mas eu já não olhava para o cano.

Olhava para o rosto dele.

Sete anos.

Durante sete anos, eu havia carregado a imagem daquele homem como a de um irmão morto em combate.

Agora ele estava alguns metros acima de mim, vivo, armado e esperando que eu entregasse aquilo que Paulo morrera tentando proteger.

Minha mão não se moveu em direção ao uniforme.

Ainda não.

Caio percebeu.

— Não complique, Mariana.


A voz dele continuava estranhamente familiar.

Era isso que tornava tudo pior.

— Você sempre dizia que uma equipe sobrevivia quando todos confiavam uns nos outros.

— E você provou que eu estava errada.

O maxilar dele endureceu.

— Paulo fez isso primeiro.

Leandro avançou meio passo.

— Não diga o nome dele.

Caio desviou a arma imediatamente.

— Você também deveria estar morto.


— Tentou resolver isso durante sete anos?

— Tentei evitar que chegássemos a este ponto.

Helena saiu lentamente de trás da coluna.

— César está ouvindo cada palavra, Caio.

— Eu sei.

— Então pense antes de escolher quem vai morrer por ele desta vez.

As caixas de som estalaram.

Brandão riu.

— Vice-Almirante Monteiro... ainda tentando salvar homens que escolheram o próprio lado.

Helena ergueu o olhar.


— Apareça, César.

— Em breve.

Olhei discretamente para Rafael.

Ele estava próximo a uma fileira de caixas metálicas.

Tomás se encontrava alguns metros atrás de mim.

Ferraz permanecia no chão, pressionando o ferimento no ombro.

Leandro estava entre Caio e Helena.

Todos esperando.

Todos calculando.

Caio voltou a apontar a arma para mim.


— A insígnia.

— Você passou sete anos procurando algo sem saber se ainda existia.

— Existe.

— Como sabe?

Por um instante, ele hesitou.

Foi pouco.

Mas suficiente.

— Porque Paulo jamais teria destruído aquilo.

— Isso não responde.

Caio apertou o punho em torno da arma.


— Ele confiava em você.

— Mais do que deveria, aparentemente.

O rosto dele mudou.

Culpa.

Pequena.

Rápida.

Mas real.

Então percebi.

Caio não tinha certeza de que a prova estava comigo.

Brandão também não.


Toda aquela estrutura de vigilância, chantagem e mortes existira porque eles estavam procurando algo.

Eu era apenas a última possibilidade.

Baixei lentamente a mão.

— Você não sabe onde está.

Caio não respondeu.

— Brandão também não.

Silêncio.

— Por isso Bruno recebeu ordens para me provocar.

Os olhos de Helena se voltaram para mim.

Continuei:


— Ele queria testar minhas reações. Ver o que eu protegeria. Onde eu colocaria a mão. Que objetos carregava.

A voz de Brandão surgiu novamente.

— Muito bem.

Olhei para as caixas de som.

— Sete anos e ainda precisa que outras pessoas façam seu trabalho.

A resposta demorou.

— Você ainda acredita que isso é pessoal.

— Matou dez pessoas para esconder um esquema.

— Não.

A voz dele ficou mais fria.


— Dez pessoas morreram porque não entenderam a diferença entre verdade e sobrevivência.

Helena respondeu:

— Você desviou armamento militar durante anos.

— Armamento pode ser substituído.

— E vidas?

Silêncio.

Brandão ignorou a pergunta.

— Mariana, entregue o dispositivo e todos que ainda estão vivos poderão sair.

Leandro soltou uma risada amarga.

— Foi o que você disse da última vez.


As caixas de som ficaram mudas.

Aquilo confirmou mais do que qualquer resposta.

Olhei para Caio.

— Ele pretende matar você também.

— Cale-se.

— Bruno pensava que era indispensável.

— Cale-se.

— Ferraz também.

Caio apertou os dentes.

— Cala a boca!


O grito ecoou pelo galpão.

Não era raiva de mim.

Era medo.

Eu avancei um passo.

A arma dele acompanhou meu movimento.

— Quando tudo isso acabar, não haverá testemunhas.

— Eu sei o que estou fazendo.

— Então por que ainda está na passarela enquanto Brandão continua escondido?

Caio piscou.

Atrás de mim, Ferraz riu apesar da dor.

— Ela tem razão.

Caio apontou a arma para ele.

— Você já nos vendeu.

Ferraz respirou com dificuldade.

— Brandão me prometeu proteção.

— Você acreditou nele?

— Assim como você.

O som de uma porta metálica se fechando atravessou o galpão.

Rafael olhou para a entrada.

— Estamos trancados.

Então veio outro som.

Um motor.

Sistema de ventilação.

Helena levantou o rosto.

— Não.

Um vapor fino começou a sair das grades próximas ao teto.

Tomás cobriu a boca com a manga.

— Gás?

— Provavelmente agente incapacitante — respondeu Helena.

Caio olhou ao redor, surpreso.

A expressão dele respondeu à última dúvida.

Ele não sabia.

Brandão estava eliminando todos.

— César! — gritou Caio.

Nenhuma resposta.

O gás começou a descer.

Eu puxei o lenço do bolso e cobri parcialmente o rosto.

— Saída secundária!

Leandro apontou para uma porta no lado leste.

— Selada eletronicamente.

Rafael correu até um painel.

— Consigo abrir, mas preciso de tempo.

— Você tem dois minutos — disse Helena.

Caio desceu a escada metálica rapidamente.

A arma ainda estava em sua mão.

Mas já não estava apontada para mim.

— Brandão disse que haveria extração.

— Agora você sabe quanto vale para ele — respondi.

Ferraz tentou se levantar.

Tomás o puxou pelo braço.

— Se consegue respirar, consegue andar.

O gás ficou mais denso.

Rafael arrancou a tampa do painel.

Faíscas.

Cabos.

— Preciso cortar a alimentação do travamento.

— Faça.

Caio olhou para meu uniforme.

— Mariana.

— Nem pense nisso.

— Se a prova realmente estiver com você, Brandão não pode recuperá-la.

— Finalmente concordamos em alguma coisa.

Ele guardou a arma.

— Me dê.

Balancei a cabeça.

— Não.

— Ainda não confia em mim?

Olhei para ele.

— Você entregou nossa posição e Paulo morreu.

Caio baixou os olhos.

— Eu não mandei matá-lo.

— Mas sabia o que aconteceria.

Ele não respondeu.

Foi o bastante.

Rafael gritou:

— Agora!

A porta lateral se abriu alguns centímetros.

Tomás e Leandro puxaram.

Metal raspou contra metal.

Helena ajudou Ferraz a passar.

Caio permaneceu ao meu lado.

— Vá — ordenei.

— Você primeiro.

— Pela primeira vez em sete anos, pare de fingir que está me protegendo.

A frase o atingiu.

Mas ele passou pela porta.

Eu fui a última.

Assim que saímos, Rafael cortou a energia.

A porta caiu atrás de nós.

O corredor externo estava escuro.

Respirei fundo.

Ar limpo.

Por alguns segundos, ninguém falou.

Então Helena se virou para Caio.

— Brandão está dentro do complexo?

Caio assentiu.

— Sim.

— Onde?

— Sala de controle subterrânea.

Leandro ergueu a arma.

— Leve-nos até ele.

Caio olhou para mim.

— Se entrarmos lá, ele vai acionar a destruição dos servidores.

— Então precisamos da prova antes.

Pela primeira vez desde que entrara no galpão, coloquei a mão dentro do forro interno do uniforme.

Meus dedos encontraram uma pequena peça metálica.

A insígnia de Paulo.

Eu a retirara do meu armário antes de deixar a base.

Não porque soubesse o que continha.

Mas porque a fotografia me lembrara dele.

Helena fechou os olhos.

Leandro ficou imóvel.

Caio parecia não conseguir respirar.

Usei a ponta de uma faca para abrir a parte traseira.

Dentro havia um pequeno cartão de memória protegido por uma fina camada de resina.

Rafael soltou um assobio baixo.

— Sete anos.

Entreguei o cartão a Tomás.

— Não conecte em nada desta instalação.

— Entendido.

Caio falou:

— Há uma estação isolada no prédio antigo.

— Controlada por Brandão?

— Não. Foi abandonada antes de ele assumir o complexo.

Olhei para Leandro.

Ele assentiu.

— Eu conheço.

Cinco minutos depois, estávamos numa sala estreita tomada por poeira.

Rafael ligou um terminal antigo usando uma fonte portátil.

Inserimos o cartão.

Nenhum de nós respirou.

Pastas apareceram.

Áudios.

Planilhas.

Cópias de ordens.

Pagamentos.

Nomes.

Então surgiu um vídeo.

Paulo Meireles apareceu na tela.

Vivo.

Cansado.

Olhou diretamente para a câmera.

— Se Mariana estiver vendo isto, significa que eu não consegui voltar.

Minha garganta se fechou.

Caio desviou o rosto.

Paulo continuou:

— O responsável pelo vazamento operacional é o Tenente Caio Nascimento.

Leandro fechou os olhos.

— Mas Caio não comanda a rede.

Paulo aproximou um documento da câmera.

— César Brandão coordena as operações. Helena Monteiro está tentando investigá-lo e não deve ser tratada como suspeita.

Helena respirou fundo.

Então Paulo disse algo que fez todos nós congelarmos.

— Brandão também responde a alguém.

Meu olhar se fixou na tela.

— Eu consegui identificar a autorização central usada para proteger os desvios.

Paulo levantou outra folha.

O nome estava claramente visível.

Tomás parou de respirar.

Helena perdeu a cor.

Eu senti como se o chão tivesse se deslocado.

Não era Brandão.

Não era Bruno.

Não era Ferraz.

Era um oficial que ainda ocupava um dos cargos mais poderosos da estrutura naval.

E que estivera no campo de formatura naquela manhã.

Paulo pronunciou o nome.

— Almirante Ricardo Vasconcelos.

Ninguém se mexeu.

Meu telefone vibrou no mesmo instante.

Era uma mensagem de Vasconcelos.

Apenas uma frase:

**“Mariana, não confie em ninguém. Estou indo buscar você.”**

Levantei lentamente os olhos para os outros.

Porque, de repente, já não sabíamos se o homem que comandara nossa investigação estava vindo para nos salvar...

ou para terminar o que Brandão começara sete anos antes.

**Continua — clique na Parte 9 para continuar lendo.**

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