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Meu Marido Bombeiro Salvou Primeiro A Amante — Três Dias Depois, Recebeu Minha Certidão De Óbito E Descobriu A Verdade Que Meu Pai Escondeu Por 28 Anos

Mariana ouviu o áudio três vezes. Na primeira, sentiu medo. Na segunda, raiva. Na terceira, percebeu alguma coisa que o choque havia escondido.

— Volta cinco segundos.

Lucas arrastou a gravação.

“Quando Mariana morrer, ninguém pode encontrar o segundo testamento.”

— Outra vez.

Ele repetiu.

Mariana fechou os olhos. Conhecia a voz de Rafael havia sete anos. Conhecia sua respiração quando estava nervoso, a maneira como engolia certas sílabas e até aquele pequeno ruído que fazia antes de dizer algo difícil.

A voz era dele.

Mas havia algo errado.

— Ele não fala assim.


Helena franziu a testa.

— Mariana, é claramente Rafael.

— A voz, sim. A frase, não.

Lucas entendeu primeiro.

— Pode ter sido editada.

— Ou retirada de outra conversa.

Mariana apontou para o início.

— Escuta o ruído atrás.

Havia três sinais curtos, depois uma voz distante anunciando alguma coisa incompreensível.

Lucas aumentou o volume.


Helena empalideceu.

— Isso parece um elevador.

Mariana abriu os olhos.

— Do hospital São Gabriel.

Todos olharam para ela.

— Meu pai ficou internado aqui antes de morrer. Os elevadores antigos fazem três sinais quando chegam ao sexto andar.

Se a gravação tivesse sido feita naquele hospital, poderia ter meses.

Lucas enviou imediatamente o arquivo para análise.

Enquanto isso, a presença da polícia do lado de fora criava outro problema. Oficialmente, Mariana estava morta. Se descobrissem que ela sobrevivera, o verdadeiro responsável pelo incêndio também poderia descobrir.

Henrique entrou novamente.


— Não consigo segurar isso por muito tempo. Os investigadores querem acessar os registros da paciente não identificada trazida na noite do incêndio.

— Quanto tempo temos? — perguntou Lucas.

— Horas. Talvez menos.

Mariana olhou para Helena.

— Quero saber sobre a discussão entre Rafael e meu pai.

A advogada demorou a responder.

— Augusto descobriu que Rafael estava investigando a fazenda.

— Por quê?

— Rafael dizia acreditar que havia corrupção envolvendo antigos proprietários. Seu pai achava que ele estava procurando os documentos da fraude.

— E o segundo testamento?


Helena desviou os olhos.

Esse pequeno movimento foi suficiente.

— Existe um segundo testamento — disse Mariana.

— Existe.

A resposta caiu pesada.

Helena retirou outra pasta de sua bolsa.

— Augusto modificou o testamento onze dias antes de morrer.

— E você nunca me contou?

— Ele deixou instruções específicas.

— Meu pai morreu há onze meses!


— As instruções diziam que você só deveria saber depois do casamento.

Mariana soltou uma risada amarga que imediatamente virou tosse.

— Então todo mundo sabia coisas sobre a minha vida menos eu.

Helena esperou até a crise passar.

— O segundo testamento contém uma cláusula incomum. Se você se casasse com Rafael Almeida antes de tomar conhecimento da fraude, parte dos bens seria transferida automaticamente para uma fundação.

— Qual fundação?

Helena respondeu quase num sussurro:

— Instituto Almeida.

O sobrenome atravessou Mariana como uma lâmina.

O Instituto Almeida era administrado por Vicente Almeida, pai de Rafael.


De repente, o casamento na própria fazenda envolvida na fraude parecia muito menos romântico.

— Rafael escolheu o local — Mariana murmurou.

Lucas virou-se para ela.

— Tem certeza?

— Ele insistiu. Disse que era perfeito porque meu pai gostava de lugares antigos.

Uma memória surgiu: Rafael mostrando fotografias da fazenda meses antes, animado demais. Depois, Vicente oferecendo-se para pagar metade da cerimônia.

Mariana sentiu náusea.

— Se eu tivesse me casado com Rafael naquele dia...

— A cláusula seria ativada — confirmou Helena.

— E depois, se eu morresse?


Helena não respondeu.

Não precisava.

Lucas recebeu uma mensagem da perícia do áudio.

— Encontraram cortes digitais.

Mariana ergueu os olhos.

— Então é falso?

— Não exatamente. Todas as palavras foram ditas por Rafael, mas provavelmente em momentos diferentes. Alguém montou a frase.

Isso mudava tudo novamente.

Se alguém estava fabricando provas contra Mariana e contra Rafael, talvez os dois fossem peças no mesmo jogo.

— Quero falar com ele — disse Mariana.


Henrique protestou imediatamente.

— É arriscado.

— Sem ele saber que sou eu.

Quarenta minutos depois, prepararam uma chamada usando um aplicativo que distorcia a voz. Lucas ligou para Rafael de um número desconhecido.

Rafael atendeu depois do segundo toque.

— Quem é?

Mariana precisou reunir forças.

— Sei que você esteve na casa de Augusto Ferreira ontem.

Silêncio.

— Quem está falando?


— O que você procurava no cofre?

A respiração de Rafael mudou.

— Onde conseguiu esse número?

— Responda.

Outro silêncio.

Então ele disse:

— O segundo testamento.

Mariana apertou o lençol.

— Por quê?

— Porque Mariana morreu sem saber que alguém estava tentando roubar tudo dela.


A frase quase a desarmou.

— Quem?

— Meu pai.

Helena ficou imóvel.

Rafael continuou:

— Vicente descobriu que Augusto havia encontrado provas sobre a fazenda. Eu estava tentando achar o testamento antes dele.

— E Camila?

Dessa vez a pausa foi longa.

— Camila está envolvida.

Mariana sentiu o peito apertar.

— Você a salvou primeiro.

Do outro lado, Rafael parou de respirar por um instante.

— Quem é você?

Mariana percebeu que havia ido longe demais.

Lucas fez sinal para encerrar.

Mas Rafael falou rapidamente:

— Espere. Se você sabe o que aconteceu no incêndio, precisa saber uma coisa. A porta de Mariana não estava trancada quando eu cheguei.

Mariana congelou.

— Estava.

— Não. Havia uma barra metálica prendendo a maçaneta por fora. Eu tentei remover. Então Camila gritou.

A lembrança voltou: as botas mudando de direção.

— E você foi embora.

A voz de Rafael falhou.

— Foi o pior erro da minha vida.

Mariana sentiu lágrimas quentes chegarem aos olhos, mas não permitiu que caíssem.

— Por que Camila estava com a chave?

Silêncio.

— Que chave?

Mariana olhou para Lucas.

Rafael parecia genuinamente não saber.

Então uma voz feminina surgiu ao fundo da ligação.

— Rafael, com quem você está falando?

Camila.

Mariana perdeu o ar.

Rafael respondeu:

— Ninguém.

Lucas encerrou imediatamente.

Segundos depois, chegou outra mensagem anônima.

Uma fotografia antiga.

Nela estavam Augusto Ferreira, Vicente Almeida e uma terceira pessoa diante da fazenda, quase trinta anos antes.

Mariana aproximou a imagem.

O terceiro homem era muito mais jovem, mas ela reconheceu o rosto.

Doutor Henrique Vasconcelos.

Mariana ergueu lentamente os olhos para o médico que havia organizado sua falsa morte.

Henrique não tentou negar.

Apenas fechou a porta do quarto e girou a chave.

— Acho que chegou a hora — disse ele — de você saber quem realmente morreu naquele incêndio.

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