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Meu Padrasto Espancava Minha Irmã Gêmea E A Mim Todos Os Dias — Até Que O Médico Descobriu A Verdade E Mandou Chamar A Polícia

Por alguns segundos, ninguém se mexeu.

Eu olhava para André, tentando encontrar no rosto dele alguma coisa que me dissesse que aquilo era apenas um mal-entendido. Mas ele não desviava os olhos da fotografia. Parecia um homem que acabara de ser condenado por uma sentença que não esperava ouvir.

— Então meu pai desconfiava de você? — perguntei.

André respirou fundo.

— Seu pai desconfiava de todo mundo.

— Até de você?

— Principalmente de quem estava perto demais.

Clara se apoiou na parede.

— E você estava seguindo Eduardo?

André assentiu.


— Daniel descobriu que Eduardo aparecia em alguns documentos ligados às empresas que ele investigava. No começo, achei que fosse coincidência. Depois comecei a acompanhar os passos dele.

— Por que nunca contou isso para nós?

André olhou para minha mãe.

— Porque Beatriz me pediu para ficar longe.

Minha mãe fechou os olhos.

— Eu tinha medo.

— Todos nós tínhamos — respondeu André.

Helena pegou a fotografia da minha mão e examinou o verso.

— Quem escreveu essa frase?

— Daniel — disse André.


— Tem certeza?

— Conheço a letra dele desde criança.

A inspetora colocou a fotografia dentro de um envelope de evidências.

— Então vamos descobrir por que ele escreveu isso.

Nesse momento, um policial apareceu correndo pelo corredor.

— Inspetora, encontramos mais uma coisa.

Helena se virou.

— O quê?

— O pen drive estava protegido por senha, mas conseguimos acessar parte dos arquivos.

Ele entregou um tablet.


Na tela havia uma lista de transferências bancárias.

Nomes de empresas.

Datas.

Valores.

E, no final de cada registro, aparecia uma sequência de números.

André aproximou-se.

— São números de contas.

— Algumas pertencem à empresa que Daniel investigava — explicou o policial. — Mas outras estão vinculadas a pessoas físicas.

Helena percorreu a lista com o dedo.

Parou.


Seu rosto mudou.

— Beatriz Martins.

Minha mãe empalideceu.

— Não.

Clara deu um passo para trás.

— Minha mãe?

— Essa conta está no seu nome — disse Helena.

Beatriz começou a balançar a cabeça.

— Eu nunca tive essa conta.

Eduardo, que estava sendo conduzido novamente pelo corredor, ouviu.


— Claro que teve.

Todos se viraram.

Ele estava algemado, mas parecia estranhamente calmo.

— Eduardo — disse Helena —, não fale sem ser questionado.

Ele ignorou a ordem.

— Beatriz sempre soube para onde o dinheiro ia.

Minha mãe começou a chorar.

— Mentira.

— Você assinou os documentos.

— Eu não sabia o que estava assinando!


Eduardo sorriu.

— Esse sempre foi o seu problema.

Clara avançou alguns passos.

— Você enganou nossa mãe?

— Eu não precisei enganá-la.

Helena imediatamente o afastou.

— Levem-no.

Antes de desaparecer pelo corredor, Eduardo olhou para mim.

— Pergunte a ela onde estava na noite em que seu pai morreu.

Meu coração parou.


Minha mãe ficou completamente imóvel.

— Mãe?

Ela não respondeu.

— Onde você estava?

Beatriz levou a mão à boca.

— Fernanda…

— Onde você estava?

Clara começou a chorar.

— Mãe, responde.

Ela finalmente levantou os olhos.


— Eu estava com Daniel.

André ficou pálido.

— O quê?

— Naquela noite — continuou Beatriz —, eu estava no carro com seu pai.

O corredor inteiro pareceu ficar silencioso.

— Você disse que estava em casa — falei.

— Eu menti.

— Por quê?

Ela apertou os dedos contra a própria bolsa.

— Porque Daniel me pediu para dizer que estava sozinha.


Helena se aproximou.

— Por que ele pediu isso?

Minha mãe começou a chorar de verdade.

— Porque alguém estava seguindo nosso carro.

André fechou os olhos.

— Quem?

Beatriz não respondeu.

— Beatriz — insistiu Helena. — Quem estava seguindo vocês?

Minha mãe olhou para André.

— Eu não vi o rosto.


— Então como sabe que era alguém ligado a Eduardo?

Ela respirou fundo.

— Porque Daniel reconheceu o carro.

Meu corpo ficou gelado.

— Que carro?

Ela demorou alguns segundos antes de responder.

— O carro do seu tio André.

André recuou como se tivesse levado um golpe.

— Não.

— Eu vi a placa — disse Beatriz. — Daniel também viu.

— Isso é impossível — murmurou André.

Mas então ele ficou em silêncio.

Sua mão entrou lentamente no bolso do casaco.

Ele tirou um molho de chaves.

Uma delas tinha uma pequena etiqueta metálica.

Helena olhou para a chave.

— Onde está esse carro agora?

André não respondeu.

Eu olhei para ele.

— Tio?

Ele fechou os olhos.

— Foi destruído três anos atrás.

O policial ao lado de Helena consultou rapidamente o tablet.

— Não foi.

André abriu os olhos.

— O quê?

— O veículo continua registrado.

Helena pegou o tablet das mãos do policial.

— E está estacionado a menos de dois quilômetros daqui.

Meu coração começou a bater violentamente.

Então o celular de Helena tocou.

Ela atendeu.

Ouviu em silêncio.

Seu rosto ficou sério.

— Não deixem ninguém entrar no estacionamento.

Desligou.

Depois olhou diretamente para mim.

— Fernanda, alguém acabou de tentar abrir o carro.

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