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Minha Ex Riu Do Meu Carro Velho No Reencontro Da Escola — Até Meu Sócio Chegar E Revelar Quem Eu Realmente Era

A frase ficou brilhando na tela enquanto eu tentava entender por que alguém envolvido no desvio de milhões mencionaria meu pai. Ele estava morto havia seis anos. Nunca tivera qualquer participação formal na empresa. Quando Maurício e eu começamos, meu pai ainda trabalhava como mecânico e achava nossa ideia arriscada demais. Mesmo assim, foi ele quem me emprestou os primeiros vinte mil reais, dinheiro que levou décadas para economizar.

— Daniel? — Maurício chamou.

Mostrei a mensagem.

Ele leu duas vezes. Na segunda, seu rosto mudou.

— O que foi? — perguntei.

— Nada.

— Não faz isso comigo outra vez.

Priscila tomou o celular da minha mão e ampliou a fotografia.

— Quem enviou isso sabe onde você está, sabe que descobrimos as transferências e está dentro do seu escritório. Isso não é improviso.

— Então vamos para lá.

— Pode ser exatamente o que essa pessoa quer — ela respondeu.

Maurício continuava olhando para a imagem.

— Você reconheceu alguma coisa — insisti.

Ele hesitou.

— O relógio.

— Claro que reconheci. Era do meu pai.

— Não estou falando disso. Estou falando de onde ele estava guardado.

Meu peito apertou.

— Como você sabe?

Silêncio.

— Maurício.

Ele baixou a voz.

— Porque já vi esse relógio antes de você começar a usá-lo.

— Eu nunca usei esse relógio.

Ele percebeu o erro tarde demais.

Priscila olhou para ele.

— Então onde você viu?

Maurício passou a mão pelo rosto.

— Na noite em que o pai do Daniel morreu.

Fiquei imóvel.

Meu pai havia morrido de infarto em casa. Eu estava viajando a trabalho quando recebi a ligação. Maurício fora uma das primeiras pessoas a chegar ao hospital depois que voltei.

— Você estava lá?

— Na casa dele, algumas horas antes.

Senti a raiva subir.

— Você nunca me contou isso.

— Porque ele pediu.

— Meu pai pediu para você esconder que o viu no dia em que morreu?

— Sim.

A resposta abriu um vazio dentro de mim.

— Por quê?

Maurício olhou para o salão atrás de nós.

— Não aqui.

Dessa vez concordei.

Saímos pela lateral. Fábio tentou chamar meu nome, mas fiz apenas um gesto indicando que precisava ir. Priscila veio conosco. Maurício não gostou, porém não discutiu.

Fomos no meu carro.

Quando Priscila percebeu, quase pareceu constrangida pela piada que fizera na entrada. Não disse nada. Maurício sentou no banco traseiro enquanto ela ficou ao meu lado.

Liguei o motor.

— Agora fala.

Maurício demorou alguns segundos.

— Seu pai apareceu na empresa três dias antes de morrer.

— Eu sei. Ele às vezes me visitava.

— Não foi visitar você.

Olhei pelo retrovisor.

— Foi me procurar.

Apertei o volante.

— Para quê?

— Ele estava preocupado com uma coisa que tinha encontrado.

— Que coisa?

— Movimentações numa empresa antiga.

Priscila virou-se.

— Qual empresa?

Maurício respondeu:

— Azevedo Autopeças.

Eu quase pisei no freio.

Azevedo Autopeças era uma pequena loja que meu pai mantivera por vinte e três anos antes de fechar. Foi dali que veio praticamente tudo o que nossa família possuíra.

— Aquela empresa fechou antes de fundarmos a nossa.

— Oficialmente, sim.

— O que significa “oficialmente”?

Maurício respirou fundo.

— Seu pai descobriu que o CNPJ continuava sendo usado.

O semáforo ficou vermelho. Parei.

— Usado por quem?

— Ele não sabia. Havia notas emitidas em nome da empresa e pagamentos entrando e saindo de contas que ele acreditava encerradas.

Priscila ficou séria.

— Empresas antigas são usadas para criar histórico e mascarar operações. Se alguém manteve o CNPJ ativo...

— Não começa a teorizar — interrompi. — Quero fatos.

Olhei para Maurício.

— Meu pai contou isso para você?

— Contou. E me mostrou documentos.

— Por que não veio até mim?

— Porque o nome que aparecia em alguns deles era o seu.

Meu estômago se contraiu.

O semáforo abriu, mas o carro atrás precisou buzinar para eu reagir.

— Meu nome?

— Como procurador.

— Nunca fui procurador da empresa dele.

— Eu sei.

— Então alguém falsificou isso também.

— Foi o que seu pai pensou.

Dirigi alguns metros em silêncio.

— E o relógio?

Maurício olhou pela janela.

— Naquela noite ele me chamou até a casa dele. Disse que tinha encontrado algo dentro do carro.

Instintivamente olhei para o painel antigo à minha frente.

— Neste carro?

— Sim.

— O quê?

— Ele não mostrou. Disse apenas que, se alguma coisa acontecesse, eu deveria garantir que o carro ficasse com você.

Meu coração acelerou.

Durante seis anos eu acreditara que conservar aquele carro era apenas uma forma de manter uma parte do meu pai comigo.

— Por que nunca me contou?

— Porque no dia seguinte ele morreu. Você estava destruído. Depois passaram semanas, meses... e nada aconteceu. Eu achei que fosse paranoia dele.

— Até quando?

Maurício ficou em silêncio.

Priscila respondeu por ele.

— Até começarem os desvios.

Olhei para ela.

— Foi por isso que você me procurou? — perguntou ela a Maurício.

Ele assentiu.

— Quando vi o nome Azevedo Autopeças em uma das notas suspeitas, lembrei do pai dele.

Aquilo explicava parte do segredo. Não explicava a falsificação da minha assinatura, o empréstimo, nem por que Maurício escolhera esconder tudo.

Chegamos ao prédio da empresa vinte minutos depois.

O estacionamento estava quase vazio. O segurança da noite, César, saiu da guarita quando reconheceu meu carro.

— Senhor Daniel? Pensei que estivesse no reencontro.

— Alguém entrou no prédio?

Ele franziu a testa.

— Não desde as oito.

— Tem certeza?

— Absoluta.

Maurício mostrou a fotografia.

César ficou pálido.

— Isso é seu escritório.

— Eu sei.

Entramos.

O elevador parecia lento demais. Quando as portas abriram no décimo primeiro andar, o corredor estava escuro. Apenas as luzes de emergência permaneciam acesas.

— Isso não é normal — Maurício murmurou.

Priscila pegou o celular e começou a filmar.

— Não toquem em nada.

Minha porta estava aberta.

Entrei primeiro.

A cadeira estava vazia.

O computador permanecia ligado.

Sobre a mesa, o relógio de meu pai.

A gaveta estava aberta.

O dispositivo de autenticação desaparecera.

Priscila verificou o computador sem tocar no teclado.

— Alguém interrompeu a exclusão. Talvez tenha saído quando percebeu que vocês estavam chegando.

Maurício caminhou até a janela.

Eu peguei o relógio.

Foi quando senti alguma coisa estranha.

Ele era mais pesado do que eu lembrava.

Virei-o.

Na parte traseira havia uma pequena marca perto da tampa. Pressionei com a unha e a peça se soltou.

Dentro do relógio não havia apenas o mecanismo.

Havia uma minúscula chave.

Maurício se aproximou.

— Seu pai colocou isso aí?

— Eu não sei.

Junto da chave havia um pedaço de papel dobrado tantas vezes que quase parecia parte do revestimento.

Abri com cuidado.

A letra era dele.

Reconheci imediatamente.

Havia apenas três palavras e um número:

“Daniel. Porta-malas. 1987.”

Meu ano de nascimento.

Corri para o elevador.

— Onde você vai? — Priscila perguntou.

— Ao carro.

Descemos os três.

No estacionamento, abri o porta-malas. Tirei o estepe, o macaco e o revestimento antigo. Não havia nada.

Maurício iluminou com o celular.

— Talvez seja algum compartimento.

Lembrei-me então de uma coisa. Quando meu pai restaurara o carro, insistira em manter o forro original do lado esquerdo, mesmo estando gasto.

Passei os dedos pela borda.

Encontrei uma pequena fechadura escondida atrás do tecido.

A chave do relógio entrou perfeitamente.

Ouvi um clique.

Atrás do painel havia uma caixa metálica fina.

Minhas mãos tremiam quando a retirei.

Dentro havia documentos, um pendrive antigo e uma fotografia.

Peguei a fotografia primeiro.

Meu pai aparecia diante da antiga Azevedo Autopeças, muitos anos mais jovem.

Ao lado dele havia outro homem.

Virei a foto.

No verso, meu pai escrevera:

“Se Daniel encontrar isso, procure este homem antes de confiar em qualquer pessoa da empresa.”

Abaixo havia um nome.

Olhei para Maurício.

Depois para Priscila.

Nenhum dos dois falou.

Porque o homem da fotografia não era desconhecido.

Era Augusto Ferraz, presidente do grupo que naquele momento oferecia centenas de milhões para comprar nossa empresa.

E no fundo da caixa havia uma cópia de um contrato assinado vinte e nove anos antes.

Segundo aquele documento, Augusto Ferraz não estava tentando comprar nossa empresa pela primeira vez.

Ele já havia sido sócio secreto do meu pai.

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