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Minha Ex Riu Do Meu Carro Velho No Reencontro Da Escola — Até Meu Sócio Chegar E Revelar Quem Eu Realmente Era

O nome de Helena permaneceu na tela como se pertencesse a outra pessoa. Durante sete anos, eu a conhecera como Helena Martins. Fora esse o sobrenome usado no currículo, no contrato de trabalho, nos documentos internos. Ela organizara minhas viagens, conhecia minha mãe, estivera no funeral do meu pai e, quando a empresa quase perdeu nosso maior cliente três anos antes, passou duas noites inteiras comigo no escritório preparando uma apresentação. Eu confiava nela a ponto de raramente conferir o que colocava diante de mim para assinar.

— Vasconcelos? — repeti. — Como ela entrou na empresa com outro sobrenome?

Maurício balançou a cabeça.

— Talvez Martins seja da mãe.

Priscila já pesquisava no notebook.

— Isso não prova que ela participou dos desvios.

— Ela abraçou o homem que entrou no meu escritório e roubou meu dispositivo.

— Prova que conhece Ricardo. Ainda não sabemos por quê.

Peguei o telefone.

— Vou ligar para ela.

Maurício segurou meu braço.

— Não.

Afastei sua mão.

— Passei tempo demais sem fazer perguntas porque alguém decidiu que estava me protegendo.

Liguei.

Helena atendeu no terceiro toque.

— Daniel?

— Preciso que venha ao escritório.

Houve uma pausa.

— Agora?

— Agora.

— Aconteceu alguma coisa?

Olhei para a imagem congelada dela abraçando Ricardo.

— Você me diz quando chegar.

Ela ficou em silêncio.

— Daniel, você encontrou as gravações?

Maurício fechou os olhos.

Priscila me encarou.

Eu senti algo quebrar dentro de mim.

— Então sabia que existiam.

— Eu posso explicar.

— Venha explicar pessoalmente.

— Não posso.

— Por quê?

Ouvi uma respiração trêmula.

— Porque meu pai desapareceu.

Ninguém na sala se moveu.

— Ricardo?

— Então você já sabe.

— Sei que ele entrou aqui usando seu crachá. Sei que vocês estiveram juntos oito meses atrás. Sei que você mentiu sobre quem é.

— Eu não menti sobre tudo.

— Essa não é uma defesa muito boa.

Helena começou a chorar baixinho.

— Meu pai me ligou há quarenta minutos. Estava apavorado. Disse que tinha feito uma coisa terrível e precisava consertar. A ligação caiu. Desde então, o telefone está desligado.

— Ele roubou meu dispositivo.

— Eu sei.

— Você ajudou?

— Não ontem.

A palavra me atingiu.

— “Ontem”?

Ela respirou fundo.

— Oito meses atrás, sim.

Fechei os olhos.

— Por quê?

— Porque ele me disse que alguém tinha roubado o trabalho dele e destruído nossa família. Passei a vida inteira ouvindo que Antônio Azevedo e Augusto Ferraz tinham ficado ricos com algo que pertencia ao meu pai.

— Meu pai não ficou rico.

— Eu sei disso agora.

Silêncio.

— Quando descobriu?

— Depois que comecei a procurar os documentos. Foi por isso que procurei Maurício anonimamente.

Olhei para meu sócio.

Ele pareceu surpreso.

— Foi você? — perguntou alto.

Helena ouviu.

— Maurício está aí?

— Está.

Ela respirou fundo.

— Fui eu que mandei o primeiro pacote de notas suspeitas para ele. Eu queria que alguém investigasse sem meu pai descobrir.

Priscila aproximou-se do telefone.

— E foi você que mandou o extrato para Daniel hoje?

— Não.

Aquilo nos fez trocar olhares.

Ainda havia outra pessoa.

— Helena, onde você está? — perguntei.

— Na casa do meu pai.

— Manda o endereço.

— Daniel, não venha.

— Por quê?

— Porque alguém esteve aqui antes de mim.

A voz dela baixou.

— A casa foi revirada. Levaram documentos, computadores... mas deixaram uma coisa.

— O quê?

— Uma fotografia sua quando bebê.

Meu peito apertou.

— Minha?

— Com seu pai.

— Isso não é estranho. Ricardo conhecia meu pai.

— Daniel... Antônio não está segurando você na fotografia.

Ela parou.

— É Augusto Ferraz.

A ligação caiu.

Tentei retornar. Nada.

Priscila já pegava a bolsa.

— Vamos.

Maurício hesitou.

— Augusto pediu para Daniel ir sozinho amanhã.

— E Helena pode estar em perigo hoje.

Saímos.

Quarenta minutos depois chegamos a uma casa simples num bairro antigo. A porta estava entreaberta.

— Helena! — chamei.

Ela apareceu no corredor.

Estava assustada, mas ilesa.

Quando me viu, ficou imóvel.

— Eu pedi para você não vir.

— Você também me disse durante sete anos que se chamava Helena Martins. Estamos empatados.

Ela aceitou a frase sem reagir.

A sala estava destruída. Gavetas abertas, papéis espalhados, almofadas rasgadas. Priscila começou a fotografar tudo.

Helena me entregou uma fotografia envelhecida.

Meu pai aparecia ao fundo, diante de um hospital. Augusto estava em primeiro plano segurando um bebê enrolado numa manta azul.

No verso havia uma data.

O dia em que nasci.

E uma frase escrita pelo meu pai:

“Augusto cumpriu a primeira parte. Agora precisamos manter Daniel longe de Ricardo.”

— O que significa isso?

Helena balançou a cabeça.

— Não sei.

Maurício examinou a fotografia.

— Tem alguma coisa errada.

— O quê?

— Augusto tinha vinte e poucos anos aqui. Seu pai também. Mas olha a expressão dele.

Augusto não sorria. Parecia assustado.

Helena caminhou até uma estante tombada.

— Meu pai guardava uma caixa aqui. Desapareceu. Mas encontrei isto atrás do móvel.

Ela me entregou uma fita cassete.

Na etiqueta estava escrito: “Hospital — 1987”.

Encontramos um aparelho antigo na garagem.

A gravação começou com ruídos. Depois surgiu a voz de meu pai.

— Augusto, você precisa decidir agora.

Outra voz respondeu:

— Se Ricardo descobrir, ele vai atrás da criança.

Meu corpo ficou rígido.

A voz de Augusto:

— Antônio, não posso fazer isso.

Meu pai respondeu:

— Pode. Você me deve isso.

Houve um longo silêncio.

Então uma terceira voz apareceu.

Ricardo.

— Vocês acham que podem simplesmente tirar isso de mim?

Ouvi barulho, passos, uma porta batendo.

Depois meu pai falou novamente, mais baixo:

— A partir de hoje, ninguém conta a Daniel o que aconteceu aqui. Nem quando ele crescer.

A fita chiou.

Então Augusto disse uma frase que fez Helena levar a mão à boca.

— E quando ele perguntar por que o nome do pai biológico não está na certidão?

Meu coração pareceu parar.

Olhei para Maurício.

— Pai biológico?

A gravação continuou antes que qualquer um pudesse falar.

Meu pai respondeu com uma firmeza que reconheci imediatamente:

— Eu sou o pai dele. Fui eu que escolhi ser. E isso é tudo que Daniel precisa saber.

A fita terminou.

Ninguém falou.

Passei trinta e nove anos acreditando que Antônio Azevedo era meu pai biológico. Naquele instante, isso parecia ser apenas mais um segredo que ele levara para o túmulo.

Helena estava chorando.

— Daniel... eu não sabia.

Eu mal conseguia ouvi-la.

Foi Priscila quem percebeu primeiro que havia algo escrito sob a etiqueta da fita. Retirou-a cuidadosamente.

Havia uma única frase, escrita à mão:

“Resultado original guardado com A.F.”

Augusto Ferraz.

O homem que queria comprar minha empresa.

O homem que segurava meu corpo recém-nascido naquela fotografia.

E o único homem vivo que aparentemente sabia quem era meu verdadeiro pai.

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