Entretenimento

Minha Sogra Trocou A Fechadura Da Minha Casa Enquanto Eu Trabalhava — Mas O Segredo Que Meu Marido Escondia Mudou Tudo

Segurei a fotografia diante de Sérgio.

— Que dinheiro era esse?

Ele não respondeu. Neide se aproximou e arrancou a foto da minha mão, examinando os três rostos como se procurasse ali alguma versão do marido que nunca tivesse conhecido.

— Você tinha uma empresa com o pai da Amanda e com Helena?

— Não exatamente.

— Os três nomes estão no contrato — eu disse.

Sérgio puxou uma cadeira e sentou-se. De repente, parecia cansado.

— Nós compramos uma área juntos em 1998. Paulo entrou com o terreno dos pais dele. Helena cuidava da parte financeira. Eu tinha dois caminhões e alguns clientes. A ideia era construir um pequeno centro de distribuição.

— E os trezentos e vinte mil?

Ele passou a mão pelo rosto.

— Vieram de um investidor.

— Quem?

— Eu nunca soube o nome verdadeiro.

Marcelo soltou uma risada nervosa.

— Pai, você espera que alguém acredite nisso?

Sérgio levantou os olhos.

— Helena trouxe o investidor. O dinheiro entrou, mas o projeto começou a dar errado. Paulo descobriu movimentações que não reconhecia. Cento e oitenta mil desapareceram primeiro. Depois, o restante.

Cento e oitenta mil.

O mesmo valor que Marcelo dizia dever.

— Isso não pode ser coincidência — murmurei.

Sérgio concordou.

— Também não acho.

— O que meu pai fez?

— Acusou Helena. Ela acusou Paulo. Eu tentei ficar no meio até perceber que alguns documentos tinham minha assinatura sem eu ter assinado.

Olhei para a procuração falsa sobre a mesa.

A história estava se repetindo quase com precisão assustadora.

— E depois?

— A sociedade acabou. Paulo saiu. Helena desapareceu de Curitiba por algum tempo. Anos depois, voltou e começou a trabalhar como contadora. Quando Marcelo abriu a distribuidora com Ricardo, eu indiquei Helena.

Marcelo ficou indignado.

— Você colocou essa mulher na minha empresa sabendo de tudo isso?

— Eu acreditava que o passado estava resolvido.

— E nunca me contou que ela tinha sido sua sócia?

— Não.

— Nem que conhecia o pai da Amanda?

Sérgio abaixou a cabeça.

Marcelo chutou uma caixa no chão.

— Então talvez essa dívida nem seja minha!

— Algumas assinaturas são suas — lembrou Sérgio.

— Algumas!

Eu ainda segurava o telefone. Minha mãe permanecera em silêncio durante quase toda a conversa.

— Mãe?

— Estou aqui.

— Você sabia dessa empresa?

Ela demorou.

— Sabia que seu pai tinha feito um negócio com Helena. Não sabia que Sérgio fazia parte.

— E os cento e quarenta mil que ficaram para mim?

— Paulo dizia que aquele dinheiro era a única parte que conseguira recuperar.

— Recuperar dos trezentos e vinte?

— Talvez.

Sérgio levantou-se abruptamente.

— Isso é impossível.

— Por quê? — perguntei.

— Porque quando Paulo saiu da sociedade, não havia mais dinheiro.

Minha mãe ouviu.

— Havia, sim.

— Como você sabe?

A voz dela endureceu.

— Porque Paulo me mostrou o extrato três semanas antes de morrer.

O escritório ficou silencioso.

Meu pai morrera de um infarto. Sempre me disseram que fora repentino, numa manhã de domingo.

— Você ainda tem esse extrato?

— Tenho uma cópia.

— Quero ver.

— Amanda, tem outra coisa.

Fechei os olhos por um segundo.

— Claro que tem.

— Seu pai deixou uma carta.

Meu peito apertou.

— Uma carta para mim?

— Não exatamente. Ele pediu que eu entregasse caso Helena voltasse a procurar o dinheiro.

— E você nunca entregou?

— Porque ela desapareceu.

— Até agora.

Minha mãe ficou quieta.

— Vou até aí — falei.

Marcelo imediatamente se aproximou.

— Eu vou com você.

— Não.

— Amanda...

— Você tentou vender minha casa escondido. Não vou levar você até documentos que talvez expliquem por que meu nome está sendo falsificado.

Ele baixou a voz.

— É justamente por isso que você não deveria ir sozinha.

— Ela não vai — disse Neide.

Todos olharam para ela.

Minha sogra pegou a bolsa que estava sobre o sofá.

— Eu vou com Amanda.

Marcelo quase riu.

— Mãe, você acabou de expulsar ela de casa.

Neide encarou o filho.

— Porque acreditei em você. Foi meu erro. Não vou cometer outro hoje.

Eu não esperava aquilo.

Sérgio também pegou as chaves.

— Eu vou.

— Não — respondi.

Ele parou.

— Se a carta fala de você, prefiro ler antes de você chegar perto dela.

Sérgio aceitou sem discutir.

Saí com Neide. Antes de fechar a porta, olhei para Marcelo.

— Não mexa em nenhum documento.

Ele assentiu.

— Amanda.

Esperei.

— Se sua mãe tiver alguma coisa com o nome “Projeto Araucária”, não abra lá.

— Por quê?

Marcelo olhou para o pai antes de responder.

— Porque esse nome aparece em todos os arquivos que Ricardo me mandou.

Vinte minutos depois, Neide e eu chegamos ao apartamento da minha mãe. Ela nos esperava na sala, pálida, com uma caixa metálica sobre a mesa.

Não houve abraços.

Minha mãe abriu a caixa e retirou um envelope amarelado.

Reconheci imediatamente a letra do meu pai.

“A entregar somente se Helena voltar.”

Minhas mãos tremiam quando abri.

Dentro havia quatro páginas e um extrato bancário.

Comecei pela carta.

Meu pai falava da sociedade, do dinheiro desaparecido e de documentos falsificados. Dizia ter descoberto que alguém estava usando empresas diferentes para movimentar valores e criar dívidas artificiais.

Então encontrei o nome.

Ricardo Farias.

— Não pode ser — murmurei.

Neide se inclinou.

— O quê?

Mostrei a data.

Ricardo já aparecia numa carta escrita oito anos antes da empresa que ele abriria com Marcelo.

Continuei lendo.

Na última página, meu pai escrevera:

“Se alguma coisa acontecer comigo, não procure Helena primeiro. Ela também está com medo. Procure quem ficou com os arquivos do Projeto Araucária.”

Abaixo havia um endereço em Curitiba.

Minha mãe olhou e perdeu a cor.

— Esse lugar ainda existe?

— Você conhece?

— Era um depósito do seu pai.

Meu celular vibrou.

Marcelo.

Ignorei.

Ele ligou novamente.

Na terceira vez, atendi.

— O que foi?

Não ouvi Marcelo.

Ouvi Sérgio.

— Amanda, não volte para casa.

Levantei-me.

— O que aconteceu?

— Marcelo sumiu.

— Como assim?

— Fui ao escritório por cinco minutos. Quando voltei, ele tinha saído.

— E os documentos?

Houve silêncio.

— A pasta vermelha desapareceu.

Meu coração acelerou.

— Sérgio, onde está o celular dele?

— Aqui. Ele deixou em cima da mesa.

Então ouvimos uma buzina do lado de fora do apartamento da minha mãe.

Neide foi até a janela.

— Amanda...

Aproximei-me.

Um carro preto estava estacionado do outro lado da rua. O motorista não saiu.

Depois de alguns segundos, a janela traseira baixou.

Uma mulher de cabelos grisalhos olhou diretamente para o apartamento.

Minha mãe chegou atrás de nós e deixou escapar um sussurro:

— Meu Deus.

— Quem é?

Ela segurou meu braço.

— É Helena.

Meu telefone vibrou novamente.

Dessa vez era uma mensagem enviada do número de Marcelo, embora o aparelho estivesse com Sérgio.

Havia apenas uma fotografia.

Marcelo estava sentado dentro de algum lugar que não reconheci, segurando a pasta vermelha.

Abaixo, uma frase:

“19h30. Projeto Araucária. Amanda vem sozinha.”

Olhei para o relógio.

19h18.

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