Entretenimento

Quebraram a mandíbula da minha filha e acharam que três sobrenomes poderosos comprariam meu silêncio

Ao nascer do sol, a Força-Tarefa Espectro havia voltado dos mortos.

Ribeiro foi o primeiro a chegar, vestindo um terno grafite sobre a postura de um soldado que, na verdade, nunca havia se aposentado por completo. Atrás dele vieram Barros, Nogueira e Chen, cada um entrando separadamente no Hospital Santa Helena.

Nós nos reunimos em uma sala de consulta que não estava sendo usada.

Chen colocou um tablet sobre a mesa.

— As câmeras da universidade não apresentaram defeito — disse ela. — Elas foram desligadas remotamente durante onze minutos.

— Por quem?

Ela ampliou um registro de segurança na tela.

— Por alguém usando credenciais vinculadas ao gabinete da senadora Tavares.

Barros empurrou três pastas na minha direção.

Lucas Ferraz tinha duas denúncias de agressão mantidas sob sigilo.


Bruno Tavares havia pago a um estudante para retirar uma acusação de assédio.

Tiago Montenegro tinha sido expulso de um colégio particular depois que outra garota acabou hospitalizada, mas a família dele havia conseguido apagar o registro.

Três predadores protegidos por três famílias poderosas.

Então Nogueira falou.

— Houve uma testemunha.

Ergui os olhos.

— Um calouro chamado Gabriel Martins viu o ataque do prédio de Química. A segurança do campus tomou o celular dele e ameaçou acusá-lo de posse de drogas caso abrisse a boca.

— Onde ele está?

— Desaparecido.

Um peso gelado se instalou dentro do meu peito.


Ribeiro se inclinou para a frente.

— Encontramos a última localização de Gabriel. Um antigo centro de treinamento militar desativado nos arredores da cidade.

Vinte minutos depois, já estávamos a caminho.

Fiquei ao lado de Lívia até uma enfermeira trazer a medicação dela.

Antes de eu sair, ela abriu os olhos e rabiscou três palavras em um bloco de papel.

ELES QUERIAM VOCÊ.

Fiquei encarando aquela mensagem.

Ela não queria dizer que eles queriam que eu a ajudasse.

Queriam a mim.

No antigo centro de treinamento, Nogueira arrombou a porta enferrujada de um depósito.


Encontramos Gabriel vivo, amarrado a uma cadeira, apavorado, mas sem ferimentos.

Ele reconheceu minha fotografia imediatamente.

— Eles ficavam perguntando sobre o senhor — sussurrou. — Disseram que Lívia nunca foi o alvo.

Meu sangue gelou.

— Quem disse isso?

Antes que ele pudesse responder, o celular de Chen emitiu um alerta.

Ela olhou para a tela, e toda a cor desapareceu de seu rosto.

— Coronel — disse ela — alguém acabou de acessar o andar onde Lívia está usando uma autorização de segurança do Ministério da Defesa.

Então o hospital ligou.

O quarto de Lívia estava vazio.


Sobre o travesseiro estava a minha moeda da Espectro.

E, embaixo dela, havia um bilhete escrito com a caligrafia da minha esposa morta.
**Continua — clique na Parte 3 para continuar lendo.**

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