Entretenimento

Um desconhecido me pediu para fingir que eu dormia em seu ombro no avião — depois descobri que ele era um bilionário e já sabia quem eu era

No instante em que a porta da cabine se abriu, Marcelo mudou.

O desconhecido gentil que tinha deixado Ana dormir encostada em seu peito desapareceu por trás de uma expressão fria e controlada.

— Fique perto de mim — sussurrou.

Dois seguranças nos cercaram enquanto entrávamos na ponte de desembarque. Apertei Ana com mais força nos braços, sentindo-me ao mesmo tempo ridícula e apavorada.

— Marcelo, quem tirou aquela foto?

— Ainda não sei.

— Isso não me tranquiliza nem um pouco.

— Não era para tranquilizar.

Na entrada do terminal, mais três homens estavam esperando. Um deles entregou um tablet a Marcelo.

— Senhor, a imagem foi publicada há vinte e três minutos. O nome dela, endereço anterior, registros do divórcio, tudo.


Meu estômago se revirou.

— Meus registros do divórcio?

Marcelo me lançou um olhar penetrante.

— Quem sabia que você pegaria este voo?

— Minha irmã. Minha mãe. — Hesitei. — E Rafael.

O nome do meu ex-marido pareceu mudar o ar ao nosso redor.

Marcelo parou de andar.

— Rafael Cardoso?

Fiquei olhando para ele.

— Como você sabe o sobrenome dele?


O chefe da segurança respondeu antes que Marcelo pudesse dizer alguma coisa.

— Porque Rafael Cardoso entrou em contato com a Albuquerque Tecnologia há seis meses.

O barulho do Aeroporto de Guarulhos pareceu desaparecer.

Marcelo pegou o tablet e virou a tela na minha direção.

Ali estava uma fotografia de Rafael.

Ao lado dela, havia documentos confidenciais marcados com o logotipo corporativo da Albuquerque Tecnologia.

— O que é isso? — sussurrei.

O maxilar de Marcelo se contraiu.

— Seu ex-marido se candidatou a um cargo sênior na área de cibersegurança. Ele foi rejeitado depois que nossa equipe de verificação de antecedentes descobriu movimentações financeiras suspeitas.

— Isso não tem nada a ver comigo.


— Espero que não.

Foi então que Ana começou a chorar.

Quando enfiei a mão na bolsa dela para pegar a mamadeira, meus dedos tocaram alguma coisa metálica.

Congelei.

Eu mesma tinha arrumado aquela bolsa.

Devagar, retirei um pequeno dispositivo preto, não maior que uma moeda.

O chefe da segurança de Marcelo segurou meu pulso.

— Não toque nisso.

— O que é?

Ele colocou luvas, examinou o dispositivo e então olhou para Marcelo.


— Um rastreador.

Minhas pernas quase cederam.

Alguém tinha colocado um dispositivo de rastreamento dentro da bolsa da minha filha.

Marcelo imediatamente ordenou que sua equipe nos levasse até uma saída reservada.

Mas, antes que conseguíssemos chegar lá, meu celular tocou.

Rafael.

Fiquei encarando o nome dele na tela até Marcelo dizer em voz baixa:

— Atenda. Coloque no viva-voz.

Minha mão tremia quando aceitei a chamada.

Rafael não disse alô.


Ele riu.

Então pronunciou cinco palavras que fizeram Marcelo ficar completamente pálido.

— Pergunte ao Albuquerque sobre seu pai.

Parei de respirar.

Meu pai estava morto havia dezenove anos.

Marcelo lentamente voltou os olhos para mim.

E, de repente, entendi que o medo nos olhos dele não era porque alguém tinha descoberto quem eu era.

Era porque Marcelo já sabia exatamente quem eu era.

**Continua — clique na Parte 3 para continuar lendo.**

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