Entretenimento

Um desconhecido me pediu para fingir que eu dormia em seu ombro no avião — depois descobri que ele era um bilionário e já sabia quem eu era

Por alguns segundos, ninguém se moveu.

Olhei para Marcelo.

Depois para minha mãe.

— Que provas?

Minha mãe apertou as mãos uma contra a outra.

— Eduardo descobriu que os dados roubados não estavam sendo vendidos apenas por funcionários da Vértice. Parte das transferências passava por empresas ligadas à família Albuquerque.

Marcelo deu um passo à frente.

— Isso não faz sentido.

— Fazia para seu pai.

— Meu pai passou a vida tentando descobrir quem quase destruiu a empresa.


— Porque ele sabia que alguém estava usando o nome dele.

A expressão de Marcelo mudou.

— Está dizendo que meu pai era inocente?

Minha mãe fechou os olhos.

— Estou dizendo que ele não era completamente culpado.

— Isso não é a mesma coisa.

Rafael bateu palmas lentamente.

— Finalmente estamos chegando à parte interessante.

Virei-me para ele.

— Cale a boca.


O sorriso desapareceu.

Minha mãe olhou para a caixa em minhas mãos.

— Eduardo acreditava que o arquivo provava três coisas. Quem roubava os dados. Quem movimentava o dinheiro. E quem dentro da família Albuquerque sabia de tudo antes de ele morrer.

Marcelo ficou imóvel.

— Quem?

— Eu nunca vi o arquivo completo.

— Mas meu pai viu?

— Sim.

— E o que ele fez?

Minha mãe engoliu em seco.


— Tentou proteger a empresa.

Marcelo soltou uma risada amarga.

— Claro.

— Marcelo...

— Não. Se ele descobriu que alguém da nossa família estava envolvido e enterrou isso, então não estava protegendo a empresa. Estava protegendo o sobrenome.

Aquela frase pareceu acertá-lo mais do que qualquer outra coisa dita naquela noite.

Rafael estendeu novamente a mão.

— Agora me dê a caixa.

Apertei-a contra o peito.

— Você não vai tocar nisso.


— Elisa, não faça isso ficar mais difícil.

— Você sequestrou minha mãe.

Minha mãe ergueu o rosto.

— Ele não me sequestrou.

Meu coração parou.

— O quê?

Ela começou a chorar.

— Eu fui com ele.

Marcelo franziu a testa.

— Por vontade própria?


— Sim.

Fiquei olhando para ela.

— Você sabia?

— Eu sabia que ele procurava o arquivo.

— Desde quando?

Ela não respondeu.

— Mãe.

— Desde antes do casamento de vocês.

Senti o chão desaparecer sob meus pés.

— Você sabia quem Rafael era e me deixou casar com ele?


— Eu não sabia tudo.

— Sabia o suficiente!

Minha voz ecoou pela sala.

— Eu achava que, se ele acreditasse que você não sabia de nada, acabaria desistindo.

— Ele teve acesso à nossa casa. À minha vida. À minha filha.

— Eu estava tentando proteger você.

— Mentindo durante dezenove anos?

Ela chorava agora.

— Seu pai me fez prometer.

— Meu pai morreu! Você ficou!


O silêncio voltou.

Rafael observava tudo com uma satisfação que me deu náusea.

Marcelo percebeu.

— Você queria que ela trouxesse a caixa sem precisar encontrá-la sozinho.

Rafael sorriu.

— Demorou.

— Você usou a mãe dela.

— Eu fiz um acordo.

Olhei para minha mãe.

— Que acordo?


Ela não respondeu.

Rafael respondeu por ela.

— Eu prometi contar quem matou Eduardo.

O ar desapareceu dos meus pulmões.

Marcelo se virou bruscamente.

— Você sabe?

— Sei quem mandou adulterar o carro dele.

Minha mãe levou a mão à boca.

— Você disse que me contaria depois que encontrássemos o arquivo.

— E vou contar.


— Não — disse Marcelo. — Você vai contar agora.

Rafael riu.

— Por quê? Vai mandar seus homens me machucarem?

O chefe da segurança deu um passo, mas Marcelo levantou a mão.

— Não precisamos.

Rafael perdeu o sorriso.

Marcelo apontou para a caixa.

— Você não sabe o que existe aí dentro.

— Sei o suficiente.

— Não sabe. Se soubesse, não teria passado anos atrás de Elisa.


Rafael o encarou.

— Abra.

Olhei para Marcelo.

Ele assentiu lentamente.

A caixa tinha uma pequena trava.

Usei a mesma chave.

Dentro havia um envelope grosso, uma unidade de armazenamento antiga e um pequeno gravador digital.

Nada mais.

Rafael avançou.

Os seguranças imediatamente levantaram as armas.

— Pare — ordenou Marcelo.

Peguei o gravador.

Na lateral havia uma etiqueta quase apagada.

**17/08 — A.A. / E.M.**

Marcelo ficou pálido.

— As iniciais dos nossos pais.

Pressionei o botão.

Por alguns segundos, só houve ruído.

Então ouvi a voz do meu pai.

Mais jovem.

Mas inconfundível.

— Se esta gravação estiver sendo ouvida, significa que Augusto e eu não conseguimos resolver isso a tempo.

Minha mão começou a tremer.

Outra voz surgiu.

Augusto Albuquerque.

— Os desvios não começaram na Vértice. Começaram dentro da minha própria família.

Marcelo fechou os olhos.

O áudio continuou.

— Eduardo identificou uma conta usada para receber os pagamentos. O beneficiário não deveria ter acesso aos sistemas. Mesmo assim, cada invasão coincide com autorizações internas ligadas a ele.

Rafael deu outro passo.

— Desligue isso.

Marcelo olhou para ele.

— Agora ficou nervoso?

— Você não sabe o que está ouvindo.

A voz de Augusto continuou:

— Se alguma coisa acontecer conosco, a pessoa responsável tentará encontrar este arquivo. Ela não pode saber que copiamos os registros.

Depois veio a frase que fez Rafael perder completamente a cor do rosto.

— O nome usado para ocultar as transferências era Cardoso.

Olhei para Rafael.

— Cardoso?

Ele recuou.

Marcelo percebeu primeiro.

— Não era você.

Rafael não respondeu.

— Você ainda era jovem demais naquela época — continuou Marcelo. — Então quem era?

Minha mãe começou a chorar novamente.

— Elisa...

Virei-me.

Ela sabia.

— Quem?

Rafael correu para a porta.

Um segurança o interceptou antes que desse três passos.

Ele tentou lutar, mas foi derrubado no chão.

— Me solte!

Marcelo se ajoelhou perto dele.

— Você não veio aqui buscar provas para vender.

Rafael respirava com dificuldade.

— Vá para o inferno.

— Você estava tentando encontrar o arquivo antes que outra pessoa encontrasse.

Silêncio.

Então Marcelo entendeu.

— Porque sua família está nele.

Rafael fechou os olhos.

Olhei para minha mãe.

— Quem era o Cardoso?

Ela parecia incapaz de falar.

— Mãe!

— O pai dele.

Rafael parou de lutar.

— Meu pai...?

— Henrique Cardoso — disse ela. — Seu sogro.

Meu corpo inteiro gelou.

Eu mal conhecera Henrique.

Ele morrera poucos meses depois do meu casamento.

Sempre fora educado comigo.

Distante.

Discreto.

Nunca imaginei que ele pudesse ter qualquer ligação com meu pai.

— Henrique matou meu pai?

— Não sei — respondeu minha mãe. — Mas Eduardo acreditava que ele trabalhava para alguém.

Marcelo pegou o envelope.

Dentro havia extratos bancários e páginas impressas.

Ele passou rapidamente pelos documentos.

Então parou.

Seu rosto ficou branco.

— O quê? — perguntei.

Ele virou uma das folhas para mim.

No topo havia uma autorização interna da antiga empresa Albuquerque.

Assinada dois dias antes da morte do meu pai.

O nome de Henrique Cardoso aparecia como receptor.

Mas a autorização tinha sido emitida por outra pessoa.

Marcelo ficou olhando para a assinatura.

— Eu conheço essa assinatura.

Meu coração acelerou.

— De quem é?

Ele não respondeu.

Pegou o celular e ligou para alguém.

— Quero acesso imediato aos arquivos pessoais da minha família. Tudo de dezenove anos atrás.

Desligou.

— Marcelo.

Ele ergueu os olhos.

Havia algo diferente neles.

Medo.

Mas também certeza.

— Essa autorização foi assinada pela minha mãe.

Continua — clique na Parte 8 para continuar lendo.

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