Entretenimento

Um desconhecido me pediu para fingir que eu dormia em seu ombro no avião — depois descobri que ele era um bilionário e já sabia quem eu era

Marcelo ficou olhando para a assinatura como se ela pudesse mudar diante de seus olhos.

Não mudou.

O nome de sua mãe permanecia ali, abaixo da autorização que tinha dado a Henrique Cardoso acesso aos sistemas apenas dois dias antes da morte do meu pai.

— Pode ter sido falsificada — falei.

Marcelo balançou a cabeça.

— Eu cresci vendo essa assinatura.

Rafael, ainda contido pelos seguranças, soltou uma risada amarga.

— Finalmente o príncipe descobriu que a própria família não é tão limpa quanto imaginava.

Marcelo virou-se para ele.

— Você sabia disso?


— Sabia que havia alguém da família Albuquerque envolvido.

— Minha mãe?

Rafael não respondeu.

Marcelo pegou o telefone.

— Ligue para ela.

O chefe da segurança hesitou.

— Senhor...

— Agora.

Poucos minutos depois, uma chamada segura foi estabelecida.

A mãe de Marcelo apareceu na tela.


Era uma mulher elegante, de cabelos grisalhos, sentada em uma sala pouco iluminada.

Ela sorriu ao ver o filho.

Então percebeu meu rosto, minha mãe e Rafael no chão.

O sorriso desapareceu.

— Marcelo... o que aconteceu?

Ele ergueu o documento diante da câmera.

— Você vai me dizer.

Ela empalideceu.

Foi uma resposta antes mesmo de abrir a boca.

— Onde encontrou isso?


— Então é sua assinatura.

Ela fechou os olhos.

— Sim.

Marcelo ficou completamente imóvel.

— Você deu a Henrique Cardoso acesso aos sistemas?

— Dei.

— Por quê?

— Porque ele ameaçou você.

Marcelo franziu a testa.

— Eu?


A voz dela começou a tremer.

— Henrique descobriu que Augusto e Eduardo estavam reunindo provas contra ele. Quando percebeu que estavam perto demais, veio até mim.

Minha mãe levou a mão à boca.

— Você nunca contou isso.

— Eu estava com medo.

Marcelo aproximou o telefone.

— O que ele disse?

— Que, se eu não assinasse uma autorização temporária, faria parecer que você fazia parte do esquema.

Marcelo recuou.

— Eu tinha vinte e dois anos.


— Exatamente.

Ela começou a chorar.

— Ele tinha acesso a contas, registros e documentos internos. Disse que conseguiria colocar seu nome em tudo. Que você seria preso antes mesmo de entender o que estava acontecendo.

— Então você assinou.

— Achei que estava comprando tempo para seu pai.

Rafael riu.

— Que história conveniente.

A mulher o encarou pela tela.

— Você tem a mesma expressão dele.

Rafael perdeu o sorriso.


— Não fale do meu pai.

— Seu pai destruiu duas famílias.

Silêncio.

Marcelo apertou os dentes.

— Você sabia que Eduardo morreria?

— Não.

A resposta veio imediatamente.

— Na manhã seguinte, contei tudo a Augusto. Ele ficou furioso. Disse que Eduardo já havia copiado os arquivos e que Henrique estava acabado.

Ela parou.

— Naquela noite, Eduardo morreu.


Olhei para minha mãe.

Ela estava chorando em silêncio.

— E meu pai? — perguntei. — Augusto Albuquerque também estava em perigo?

A mãe de Marcelo assentiu.

— Sim.

— Mas ele sobreviveu.

— Porque Eduardo não levou as provas para a reunião.

Marcelo olhou para a caixa.

— Ele já tinha escondido o A-17.

— Augusto descobriu isso depois. E tomou uma decisão que eu nunca perdoei.


— Qual?

— Ficou em silêncio.

Marcelo baixou os olhos.

A mãe dele continuou:

— Henrique procurava o arquivo. Augusto acreditava que, se denunciasse o que sabia sem ter as provas completas, colocaria Elisa e a mãe dela em risco.

Minha mãe começou a chorar mais forte.

— Ele me procurou depois do funeral.

Virei-me para ela.

— Augusto?

Ela assentiu.


— Ele me deu dinheiro para desaparecer por alguns meses. Disse que Henrique acreditaria que eu não sabia de nada.

— Foi por isso que você nunca falou sobre meu pai?

— Seu pai morreu tentando proteger você.

Meu peito doeu.

— E todos decidiram que mentir para mim era a melhor forma de honrar isso?

Ninguém respondeu.

Foi Rafael quem quebrou o silêncio.

— Vocês estão todos esquecendo uma coisa.

Marcelo virou-se.

— O quê?


— Meu pai morreu há anos.

— E?

Rafael sorriu.

— Se Henrique era o único responsável, por que alguém ainda está tentando encontrar esse arquivo?

A pergunta paralisou a sala.

Olhei para Marcelo.

— A fotografia no aeroporto.

Ele assentiu.

— O rastreador.

Rafael falou:

— Eu não coloquei aquilo na bolsa da Ana.

— Por que deveríamos acreditar em você? — perguntei.

— Porque eu já sabia para onde você ia.

Meu estômago se contraiu.

Ele continuou:

— Eu tinha acesso ao seu itinerário através de uma conta antiga que você nunca desvinculou depois do divórcio. Não precisava rastrear sua filha.

A vergonha e a raiva queimaram meu rosto.

Marcelo se ajoelhou diante dele.

— Quem publicou a foto?

— Eu disse que não sei.

— Mas você suspeita.

Rafael olhou para a tela onde a mãe de Marcelo ainda estava conectada.

— Meu pai guardava registros. Depois que morreu, encontrei parte deles. Havia pagamentos feitos muito depois da morte de Eduardo.

Marcelo ficou tenso.

— Pagamentos para quem?

— Para uma conta intermediária usada por alguém dentro da Albuquerque Tecnologia.

— Nome.

— Nunca encontrei.

Marcelo pegou a unidade de armazenamento da caixa.

— Talvez esteja aqui.

Um técnico conectou o dispositivo a um computador isolado.

Demorou menos de dois minutos.

Pastas antigas apareceram na tela.

Uma delas tinha sido atualizada poucos meses antes da morte do meu pai.

Outra continha cópias de transferências.

O técnico abriu o arquivo.

Marcelo se inclinou.

— Essas contas ainda existem.

— Algumas — respondeu o homem. — E houve movimentação recente.

Meu coração acelerou.

— Recente quanto?

Ele digitou.

— Três dias atrás.

Ninguém falou.

Marcelo encarou Rafael.

— Seu pai morreu, mas alguém continuou usando a estrutura dele.

Rafael empalideceu.

O técnico abriu outro documento.

— Há uma lista de acessos internos associados às transferências.

— Mostre.

Vários nomes apareceram.

A maioria era antiga.

Então surgiu uma identificação ainda ativa.

Marcelo ficou rígido.

— Eu conheço esse código.

— De quem é? — perguntei.

Ele não respondeu imediatamente.

Pegou o celular e ligou para sua equipe em São Paulo.

— Bloqueiem todos os acessos corporativos ligados ao código 04-77. Agora.

O chefe da segurança olhou para ele.

— Senhor, esse código pertence ao seu diretor de segurança digital.

Marcelo fechou os olhos.

Meu sangue gelou.

O mesmo setor para o qual Rafael havia tentado entrar seis meses antes.

Rafael começou a rir.

— Agora você entende por que fui atrás daquela vaga?

Marcelo virou-se lentamente.

— Você não queria trabalhar para mim.

— Eu queria descobrir quem ainda estava usando as contas do meu pai.

— E decidiu usar Elisa para isso.

Rafael abaixou os olhos.

Não negou.

Nesse instante, o telefone do chefe da segurança tocou.

Ele atendeu.

Seu rosto mudou imediatamente.

— Senhor, temos um problema.

— Fale.

— O código 04-77 acabou de tentar acessar o sistema central.

— Bloqueiem.

— Já fizemos.

O homem engoliu em seco.

— Mas, antes do bloqueio, ele baixou uma cópia da lista de passageiros do voo de Elisa.

Apertei a mesa.

— Por quê?

O chefe da segurança olhou para mim.

— Porque a pessoa que publicou sua identidade não estava tentando encontrar apenas você.

Ele virou o computador.

Na tela apareceu uma nova mensagem enviada para dezenas de contatos.

Meu nome.

O nome de Ana.

E uma única instrução:

**Recuperem o A-17 antes de Albuquerque.**

Marcelo pegou a unidade de armazenamento e guardou-a no bolso interno do paletó.

Então olhou para mim.

— Agora sabemos quem está nos perseguindo.

Balancei a cabeça.

— Não. Sabemos qual código ele está usando.

Marcelo me encarou.

— Exatamente.

E, naquele momento, o chefe da segurança recebeu outra informação.

— Senhor... localizamos o usuário do código 04-77.

Marcelo ficou imóvel.

— Onde?

O homem levantou os olhos.

— Dentro da sede da Albuquerque Tecnologia.

Continua — clique na Parte 9 para continuar lendo.

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