Entretenimento

“Você conhece alguém que queira uma menininha?” — a pergunta de Lívia parou o bilionário Adriano Valente, mas o nome de sua mãe escondia uma ligação impossível de ignorar

Adriano não perguntou duas vezes.

Saiu da sala tão depressa que Marina precisou correr para acompanhá-lo.

No caminho até o carro, ele já estava ligando para o chefe da segurança.

“Bloqueie todas as saídas do quarteirão. Quero as imagens da unidade de acolhimento, ruas laterais, estacionamentos, pedágios e câmeras municipais.”

Marina arrancou o telefone da mão dele.

“Sem polícia por enquanto.”

Adriano virou-se para ela.

“Lívia foi levada.”

“E Helena deixou escrito que havia pessoas capazes de descobrir quando começássemos a fazer perguntas.”

“Você quer que eu fique parado?”


“Quero que você pense.”

Adriano fechou a porta do carro com força.

“Eu estou pensando.”

“Não. Você está reagindo como um Valente acostumado a mandar cem pessoas correrem quando algo dá errado.”

Ele a encarou.

“Uma criança desapareceu.”

Marina sustentou seu olhar.

“Exatamente. Então não transforme isso num espetáculo que avise quem a levou de que estamos chegando.”

Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.

Então Adriano pegou o celular de volta.


“Equipe mínima. Só três pessoas. Ninguém menciona o nome de Caetano.”

O segurança do banco da frente assentiu.

Marina percebeu que, pela primeira vez desde que o conhecera, Adriano aceitara uma ordem dela sem discutir.

Quando chegaram à unidade, Rebeca estava sentada no chão do corredor.

Seu rosto estava devastado.

“Foi culpa minha”, repetia. “Eu só saí por dois minutos.”

Marina se ajoelhou.

“Mostre as câmeras.”

A gravação começou vinte e três minutos antes.

Lívia aparecia sentada numa pequena sala de convivência, desenhando ao lado de Teresa.


Então Teresa recebeu um chamado e saiu.

Um minuto depois, Caetano Valente apareceu no corredor.

Nenhuma pressa.

Nenhuma máscara.

Nenhuma tentativa de esconder o rosto.

Ele se aproximou da porta, falou alguma coisa para Lívia e mostrou um objeto.

A menina arregalou os olhos.

Depois se levantou.

E segurou a mão dele.

Adriano se inclinou para a tela.


“Volte.”

O técnico reproduziu novamente.

“Pare aí.”

A imagem congelou.

Na mão de Caetano havia alguma coisa pequena e brilhante.

Marina chegou mais perto.

“O pingente.”

Era o mesmo símbolo prateado.

Rebeca começou a chorar de novo.

“Helena tinha um igual.”


Adriano observou o rosto de Lívia.

Não havia luta.

Não havia medo.

Havia reconhecimento.

Ou, pelo menos, confiança.

“Ele disse alguma coisa para ela”, Marina murmurou.

O técnico aumentou o áudio.

Ruído.

Passos.

Depois a voz de Caetano apareceu abafada.


“...sua mãe disse que, se algum dia eu viesse com isto...”

O resto se perdeu.

Marina fechou os olhos.

“Helena conhecia Caetano.”

“Sim”, respondeu Adriano.

“Mais do que nós sabíamos.”

A câmera externa mostrou Caetano colocando Lívia no banco traseiro de um utilitário preto.

Ele não saiu pela avenida principal.

Pegou uma rua lateral.

Adriano reconheceu a placa.


“Esse carro é dele.”

Marina virou-se.

“Então ele quer ser encontrado.”

Adriano ficou em silêncio.

Aquela conclusão o incomodou mais do que a ideia de um sequestro.

Quinze minutos depois, localizaram o veículo.

Não por satélite.

Caetano havia desligado o rastreamento.

Mas uma câmera de trânsito o registrara entrando na zona antiga da cidade, em direção ao bairro onde a Fundação Valente mantivera seu primeiro centro comunitário.

Marina olhou para a tela.


“Projeto Horizonte.”

Adriano entendeu.

“Ele está nos levando até lá.”

O prédio estava fechado havia quase uma década.

A fachada carregava marcas de um incêndio antigo, e as janelas do andar superior estavam cobertas com madeira.

Adriano chegou primeiro à porta.

Marina segurou seu braço.

“Não entre como se soubesse o que está lá dentro.”

“Minha sobrinha—”

Ele parou.


A palavra saíra automaticamente.

Marina percebeu.

Adriano também.

Nenhum dos dois comentou.

O segurança abriu a fechadura lateral.

O interior cheirava a poeira e umidade.

Havia pegadas recentes no chão.

Pequenas.

E grandes.

Seguiram até uma sala nos fundos.


A porta estava entreaberta.

Adriano empurrou.

Lívia estava sentada numa cadeira, comendo biscoitos.

Caetano estava diante dela.

Sem arma.

Sem ameaça.

A menina levantou o rosto.

“Sr. Adriano.”

Adriano atravessou a sala em dois passos.

Abaixou-se diante dela.

“Você está bem?”

Lívia assentiu.

“Ele disse que conhecia minha mãe.”

Adriano se levantou lentamente.

Seu olhar encontrou Caetano.

“Afaste-se dela.”

Caetano não se moveu.

“Se eu quisesse machucá-la, ela não estaria aqui esperando por você.”

Marina entrou.

“Então explique.”

Caetano olhou para ela.

Por alguns segundos, seu rosto mudou.

Culpa.

Talvez vergonha.

“Você parece muito com seu pai.”

Marina endureceu.

“Não use o nome dele para ganhar tempo.”

Caetano soltou o ar.

“Roberto Almeida era inocente.”

O silêncio caiu sobre a sala.

Marina ficou imóvel.

“Você movimentou as contas.”

“Sim.”

“Usou as credenciais dele.”

“Sim.”

A resposta veio sem defesa.

Adriano avançou.

“Você destruiu a vida de um homem.”

Caetano ergueu os olhos.

“Porque me disseram que, se eu não fizesse, destruiriam duas vidas.”

Ele olhou para Lívia.

Marina percebeu primeiro.

“Helena.”

Caetano assentiu.

“E a criança que ela carregava.”

Adriano congelou.

“Lívia?”

“Não.”

Caetano balançou a cabeça.

“Isso aconteceu anos antes de Lívia nascer.”

Ele caminhou até um armário enferrujado e retirou uma pasta azul.

A mesma que Helena mencionara na gravação.

Adriano deu um passo.

Caetano levantou a mão.

“Antes que você abra isso, precisa saber uma coisa.”

“Fale.”

Caetano olhou diretamente para Adriano.

“Seu pai descobriu tudo.”

“Então por que não limpou o nome de Roberto?”

“Porque alguém tinha provas suficientes para destruir Helena.”

Marina apertou os punhos.

“Que provas?”

Caetano colocou a pasta sobre a mesa.

“Provas de que Helena tinha um filho.”

Adriano franziu a testa.

“E daí?”

Caetano manteve os olhos nele.

“Um filho que ninguém na família Valente deveria descobrir.”

Adriano parou de respirar.

Marina olhou para Lívia.

Depois para a pasta azul.

Caetano abriu a primeira página.

Havia uma certidão de nascimento antiga.

Muito anterior à de Lívia.

O nome da mãe era Helena Martins.

O nome do pai havia sido deixado em branco.

Mas preso ao documento havia um exame de DNA.

Adriano pegou a folha.

Leu uma vez.

Depois outra.

Seu rosto perdeu toda a cor.

Marina se aproximou.

“Adriano?”

Ele não respondeu.

Apenas virou a página na direção dela.

No campo de compatibilidade genética havia dois nomes.

Helena Martins.

E Augusto Valente.

**Continua — clique na Parte 6 para continuar lendo.**

No comments yet