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“Você conhece alguém que queira uma menininha?” — a pergunta de Lívia parou o bilionário Adriano Valente, mas o nome de sua mãe escondia uma ligação impossível de ignorar

Adriano não permitiu que ninguém parasse.

A fumaça já cobria metade do corredor quando ele chutou a porta dos fundos.

Ela não abriu.

“Trancada”, disse.

Caetano apontou para uma barra metálica presa à parede.

“Quebre a fechadura.”

O segurança arrancou a barra e bateu duas vezes.

Na terceira, a madeira cedeu.

Ar frio entrou pela abertura.

Adriano saiu primeiro com Lívia nos braços. Marina veio logo atrás, protegendo a pasta azul sob o casaco.


Quando alcançaram o terreno vazio atrás do prédio, sirenes já podiam ser ouvidas à distância.

Marina se virou.

“Caetano?”

Ele não estava com eles.

Adriano passou Lívia para Marina.

“Fique aqui.”

“Você não vai voltar.”

“Ele ainda está lá dentro.”

Marina segurou seu braço.

“Adriano.”


Ele olhou para ela.

“Caetano sabia exatamente onde ficava a saída. Sabia exatamente onde estava a pasta. E foi ele quem trouxe Lívia para este prédio.”

Adriano ficou imóvel.

A conclusão era desagradável demais para ignorar.

Seu segurança saiu pela porta momentos depois, tossindo.

“Não encontrei o senhor Caetano.”

“Outra saída?”

“Pode haver.”

Adriano olhou para as chamas começando a aparecer nas janelas superiores.

Caetano desaparecera.


Lívia começou a tremer.

“Eu quero minha tia.”

Adriano voltou imediatamente para ela.

“Vamos encontrar Rebeca.”

Marina guardou o cartão de memória no bolso interno.

“E ninguém vai saber que temos isso.”

Adriano entendeu.

Nem a polícia.

Nem os funcionários da Fundação.

Nem o conselho das empresas Valente.


Pelo menos não até descobrirem o que Helena havia gravado.

Eles retornaram ao hotel por uma entrada de serviço.

Rebeca estava esperando numa suíte protegida da cobertura.

Quando viu Lívia, soltou um grito.

Correu até a menina e caiu de joelhos.

“Meu Deus.”

Lívia se jogou nos braços dela.

“Você não vai me deixar de novo?”

Rebeca começou a chorar.

“Não.”


Apertou a sobrinha contra o peito.

“Eu nunca mais vou fazer isso.”

Adriano observou as duas por alguns segundos.

Depois levou Marina para seu escritório.

Usaram um computador que nunca havia sido conectado à rede interna do hotel.

Marina inseriu o cartão.

Havia sete arquivos.

Fotografias.

Planilhas.

Dois documentos digitalizados.


E um vídeo.

Data de gravação: cinco meses antes.

Um mês antes da morte de Helena.

Marina apertou play.

Helena apareceu sentada dentro de um carro.

Parecia cansada.

Assustada.

Usava o pingente de prata.

“Meu nome é Helena Martins.”

A voz encheu o escritório.


“Estou gravando isso porque acredito que não tenho mais muito tempo.”

Adriano ficou em silêncio.

Helena ergueu alguns documentos diante da câmera.

“Vicente Valente morreu, mas o sistema que ele construiu não morreu com ele.”

Marina se inclinou.

“Durante anos, pensei que bastaria provar que Roberto Almeida era inocente.”

Os olhos dela começaram a se encher de lágrimas.

“Eu estava errada.”

Helena respirou fundo.

“O dinheiro desviado do Projeto Horizonte não foi apenas usado para enriquecer pessoas. Foi usado para criar uma rede de empresas falsas e pagamentos secretos.”


Ela mostrou uma lista.

Adriano reconheceu alguns nomes de companhias ainda vinculadas ao grupo Valente.

“Depois da morte de Vicente, alguém continuou operando essa rede.”

Marina olhou para Adriano.

A gravação prosseguiu.

“Augusto tentou desmontá-la antes de morrer.”

Adriano ficou rígido.

“Foi por isso que ele guardou cópias dos documentos.”

Helena aproximou o rosto da câmera.

“E foi por isso que sua morte precisa ser investigada novamente.”


Adriano perdeu a cor.

Seu pai morrera dois anos antes.

Infarto.

Era o que todos acreditavam.

Marina colocou a mão sobre a mesa.

“Continue.”

Helena retirou outra fotografia.

Era Caetano.

“Caetano participou da fraude contra Roberto Almeida.”

Nenhuma surpresa.


Então Helena disse:

“Mas Caetano não é o homem que me assusta.”

Adriano franziu a testa.

Marina também.

Helena virou a fotografia.

No verso havia outro nome.

Ela aproximou o papel da câmera.

Mas antes que a imagem focasse, o vídeo falhou.

A tela ficou preta.

“Não.”

Marina tentou avançar.

O arquivo retomou alguns segundos depois.

Helena estava chorando.

“Se Marina Almeida assistir a isso, diga a ela que sinto muito.”

A voz tremeu.

“O pai dela tentou me proteger quando ninguém mais quis.”

Marina fechou os olhos.

“Roberto descobriu o nome de quem controlava as contas. Ele tentou entregar a prova.”

Helena olhou para alguma coisa fora do carro.

Ficou subitamente assustada.

“Eles me encontraram.”

O vídeo terminou.

Marina ficou parada diante da tela.

“Precisamos recuperar aquele trecho.”

Adriano já estava examinando os outros arquivos.

Uma das planilhas tinha centenas de transferências.

Outra continha datas.

Então ele encontrou um documento chamado AUGUSTO_FINAL.

Abriu.

Era uma cópia de uma declaração assinada pelo pai.

Adriano leu rapidamente.

Na última página havia uma frase sublinhada.

“Se qualquer coisa me acontecer antes de eu tornar esses registros públicos, procure a pessoa que aprovou a auditoria final de Roberto Almeida.”

Marina levantou os olhos.

“Quem aprovou?”

Adriano procurou a página seguinte.

Faltava.

Mas outro arquivo continha uma fotografia de um relatório.

No canto inferior estava uma assinatura.

Adriano reconheceu.

Seu rosto mudou completamente.

“Não pode ser.”

Marina aproximou-se.

“Quem é?”

Antes que ele respondesse, alguém bateu na porta.

Três vezes.

Pausa.

Mais duas.

O código usado pela segurança particular de Adriano.

Ele fechou o notebook.

“Entre.”

Seu diretor de segurança apareceu.

O mesmo homem que, na manhã seguinte ao abandono de Lívia, havia colocado a certidão de nascimento sobre a mesa de Adriano.

Ele parecia tenso.

“Encontramos Caetano.”

Marina ficou de pé.

“Onde?”

“Em casa.”

Adriano franziu a testa.

“Isso é impossível. Ele estava conosco há menos de uma hora.”

O diretor colocou uma fotografia sobre a mesa.

Caetano aparecia entrando em sua residência.

O horário registrado era vinte minutos antes do incêndio.

Marina sentiu o sangue gelar.

“Então quem estava conosco?”

Ninguém respondeu.

Lívia apareceu silenciosamente na porta atrás deles.

Ela tinha ouvido.

Seus olhos se arregalaram.

“Eu sei.”

Todos se viraram.

A menina apertou o coelho contra o peito.

“Aquele homem não era o tio Caetano.”

Adriano caminhou até ela.

“Como você sabe?”

Lívia engoliu em seco.

“Porque minha mãe me mostrou uma foto do verdadeiro.”

Marina sentiu um arrepio.

“Então quem levou você?”

Lívia olhou para o diretor de segurança de Adriano.

E apontou.

“Foi ele que mandou o homem vir me buscar.”

O escritório inteiro ficou em silêncio.

**Continua — clique na Parte 8 para continuar lendo.**

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