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“Você conhece alguém que queira uma menininha?” — a pergunta de Lívia parou o bilionário Adriano Valente, mas o nome de sua mãe escondia uma ligação impossível de ignorar

Adriano continuou olhando para o exame.

Augusto Valente.

Helena Martins.

Compatibilidade genética compatível com paternidade.

As palavras pareciam perder o sentido quanto mais ele as lia.

Marina foi a primeira a quebrar o silêncio.

“Quem era a criança?”

Caetano não respondeu imediatamente.

Adriano ergueu os olhos.

“Quem?”


Caetano puxou outra folha da pasta azul.

“Um menino.”

Lívia, ainda sentada perto da parede, abraçou o coelho com mais força.

Adriano percebeu e baixou a voz.

“Leve-a para fora.”

Marina chamou o segurança.

Mas Lívia balançou a cabeça.

“Eu quero ficar.”

Caetano se agachou diante dela.

“Isso é conversa de adultos.”


“É sobre minha mãe.”

Ninguém encontrou resposta para aquilo.

Marina aproximou uma cadeira.

“Então fique perto de mim.”

Lívia obedeceu.

Caetano voltou à pasta.

“Helena tinha dezenove anos quando conheceu Augusto. Ele já era casado.”

O maxilar de Adriano endureceu.

“Meu pai teve um caso com ela?”

“Não.”


Caetano respondeu rápido demais para haver dúvida.

“Helena trabalhou para a família de vocês antes de entrar na fundação. A mãe dela era funcionária numa propriedade dos Valente. Augusto a conhecia desde criança.”

Adriano olhou novamente para o exame.

“Então explique isso.”

Caetano passou a mão pelo rosto.

“Augusto não era o pai biológico.”

Marina franziu a testa.

“O exame diz o contrário.”

“Porque foi isso que Augusto quis que todos acreditassem.”

A sala ficou imóvel.


Caetano tirou da pasta uma segunda cópia do mesmo teste.

Só que aquela tinha anotações manuscritas.

“Esse foi adulterado.”

Adriano sentiu uma onda de raiva.

“Por quem?”

“Por mim.”

O golpe foi imediato.

Adriano avançou, mas Marina se colocou entre os dois.

“Não.”

“Ele falsificou um exame que incriminava meu pai.”


“E pode ser exatamente por isso que ainda estamos vivos para perguntar.”

Adriano parou.

Caetano não tentou se defender.

“Augusto me pediu.”

“Por quê?”

“Porque precisava esconder o verdadeiro pai do menino.”

Marina fechou os olhos por um instante.

“Quem era?”

Caetano apontou para a última seção da pasta.

Ali havia um envelope menor.


Velho.

Amarelado.

Com um nome escrito à mão.

Adriano reconheceu imediatamente.

**Vicente Valente.**

Seu avô.

Adriano ficou sem expressão.

“Não.”

Caetano assentiu.

“Helena era filha de uma funcionária. Vicente abusou do poder que tinha sobre a família dela durante anos. Quando ela engravidou, Augusto descobriu.”


Marina ficou pálida.

Adriano deu um passo para trás.

A história que ele conhecia sobre seu avô era outra.

Empresário rígido.

Fundador respeitado.

Patriarca responsável pela expansão do império Valente.

A família preservara sua imagem como se fosse uma religião.

“Meu pai encobriu isso?”

“Primeiro, tentou proteger Helena.”

“Depois colocou o próprio nome num exame.”


“Para impedir que Vicente fosse atrás da criança.”

Adriano olhou para Caetano.

“Isso não faz sentido.”

“Naquela época, Vicente controlava tudo. Empresas, políticos, advogados, policiais. Se descobrisse que Helena tinha guardado provas, ela desapareceria.”

Marina olhou para a pasta azul.

“E o menino?”

Caetano demorou a responder.

“Morreu.”

Lívia baixou os olhos.

Marina percebeu.


“Quando?”

“Poucos meses depois de nascer.”

Caetano respirou fundo.

“Helena nunca se recuperou completamente.”

Adriano parecia incapaz de falar.

Então Marina perguntou:

“E o desvio do Projeto Horizonte?”

Caetano fechou a pasta parcialmente.

“Anos depois, Helena voltou a trabalhar perto dos Valente porque queria provar o que Vicente tinha feito. Ela começou a copiar documentos antigos.”

“E encontrou movimentações financeiras.”


“Sim.”

Caetano assentiu.

“Mas não eram apenas desvios.”

Ele abriu outra seção da pasta.

Havia pagamentos feitos durante mais de vinte anos.

Empresas de fachada.

Contas no exterior.

Acordos confidenciais.

Marina analisou uma das páginas.

“Isso parece dinheiro usado para comprar silêncio.”

“Era.”

Adriano levantou os olhos.

“Do meu avô?”

“Dele e de outras pessoas que trabalharam para ele.”

Marina folheou rapidamente.

Então parou.

Ali estava o nome de Roberto Almeida.

Seu pai.

Mas desta vez não como beneficiário.

Como auditor interno.

“Ele descobriu.”

Caetano assentiu.

“Seu pai encontrou as transferências.”

A respiração de Marina ficou curta.

“E vocês usaram o Projeto Horizonte para incriminá-lo.”

“Vicente mandou.”

“Você obedeceu.”

Caetano sustentou o olhar dela.

“Sim.”

Marina se aproximou.

“Meu pai morreu humilhado.”

“Eu sei.”

“Minha mãe vendeu a casa.”

“Eu sei.”

“Ele passou os últimos anos tentando provar que não era ladrão.”

A voz dela começou a falhar.

“E você sabia.”

Caetano baixou a cabeça.

“Sabia.”

Marina ergueu a mão.

Por um instante, Adriano achou que ela bateria nele.

Mas Marina apenas fechou os dedos.

“Por quê?”

Caetano respondeu quase num sussurro.

“Porque Vicente ameaçou Helena outra vez.”

Adriano olhou para Lívia.

“Mas Lívia ainda não existia.”

“Não.”

“Então o que ele poderia usar contra ela?”

Caetano olhou para Adriano.

“Augusto.”

O nome caiu como pedra.

“Vicente descobriu que Augusto estava ajudando Helena a reunir provas.”

Marina entendeu primeiro.

“Ele ameaçou o próprio filho.”

Caetano assentiu.

“E você?”

“Eu fui covarde.”

A resposta veio sem hesitação.

“Fiz as transferências. Plantei os registros. Entreguei os documentos que apontavam para Roberto Almeida.”

Marina desviou o rosto.

Adriano ficou em silêncio por alguns segundos.

“E depois meu avô morreu.”

“Sim.”

“Há nove anos.”

“Sim.”

Adriano aproximou-se da mesa.

“Então quem perseguiu Helena agora?”

Caetano ficou imóvel.

Era a pergunta que mudava tudo.

Vicente Valente estava morto.

Augusto também.

Mesmo assim, alguém entrara no apartamento de Rebeca.

Alguém deixara o pingente.

Alguém sabia sobre Lívia.

Marina olhou para Caetano.

“Você levou Lívia porque sabia que alguém estava atrás dela.”

“Sim.”

“Quem?”

Caetano abriu a boca.

Antes que pudesse responder, um som metálico ecoou no corredor.

Adriano se virou.

O segurança sacou a arma.

Outro barulho.

Uma janela quebrando.

Então o cheiro surgiu.

Fumaça.

Caetano correu até a porta.

“Eles encontraram a gente.”

Adriano pegou Lívia no colo.

Marina reuniu a pasta azul.

“Saída dos fundos?”

Caetano apontou para um corredor estreito.

“Por ali.”

A fumaça começou a entrar pela parte superior da porta.

O incêndio estava se espalhando rápido demais para ser acidente.

Eles correram.

Lívia enterrou o rosto no ombro de Adriano.

“Minha mãe também corria assim.”

Adriano quase tropeçou.

“O quê?”

A menina ergueu os olhos, assustada.

“Na última noite.”

Marina parou.

“Que última noite?”

Lívia apertou o coelho.

“A noite antes de ela morrer.”

Caetano ficou branco.

“Lívia, quem estava atrás de vocês?”

A menina começou a chorar.

“Eu não sei.”

Então puxou de dentro do coelho de pelúcia uma pequena tira de tecido costurada.

Marina viu primeiro que havia alguma coisa escondida ali.

Adriano abriu a costura com os dedos.

De dentro caiu um cartão de memória.

Lívia soluçou.

“Mamãe disse que eu só podia entregar isso para a mulher chamada Marina.”

Marina ficou imóvel.

Pegou o cartão.

Atrás deles, o fogo avançava pelo corredor.

Mas agora ela sabia uma coisa com absoluta certeza.

Helena não tinha deixado apenas uma carta.

Tinha deixado a prova final.

**Continua — clique na Parte 7 para continuar lendo.**

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