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“Você conhece alguém que queira uma menininha?” — a pergunta de Lívia parou o bilionário Adriano Valente, mas o nome de sua mãe escondia uma ligação impossível de ignorar

O diretor de segurança não se moveu.

Por um segundo, Adriano achou que Lívia pudesse ter se confundido.

Então viu a mão do homem deslizar lentamente para dentro do paletó.

“Não faça isso, Marcelo”, disse Adriano.

Marina se colocou imediatamente à frente de Lívia.

Marcelo Siqueira parou.

Seu rosto perdeu a expressão profissional que Adriano conhecia havia quase oito anos.

“Ela é uma criança”, disse ele. “Está assustada.”

Lívia apertou o coelho contra o peito.

“Você estava no carro.”


Marcelo olhou para ela.

“Lívia—”

“Não diga o nome dela.”

A voz de Adriano saiu baixa.

Perigosa.

O segurança que permanecia no corredor apareceu atrás de Marcelo.

Adriano fez um gesto discreto.

“Arma na mesa.”

Marcelo sorriu sem humor.

“Você realmente acha que eu entraria armado na sua cobertura?”


“Então não terá problema em levantar as mãos.”

Ele não levantou.

Marina percebeu antes de Adriano.

“Fechem a porta.”

O segurança obedeceu.

Marcelo estava cercado.

Adriano abriu novamente o notebook.

“Você trouxe a certidão de nascimento de Lívia para mim.”

“Era meu trabalho.”

“Foi você quem encontrou Helena.”


“Minha equipe encontrou.”

“Foi você quem confirmou que Caetano aparecia nas câmeras.”

Marcelo permaneceu em silêncio.

Marina sentiu o estômago afundar.

“Você manipulou as imagens.”

“Eu não disse isso.”

“Nem precisa.”

Adriano abriu a fotografia do suposto Caetano saindo com Lívia.

Agora, olhando com atenção, alguns detalhes pareciam errados.

O homem tinha o mesmo porte físico.


O mesmo corte de cabelo.

Até os mesmos óculos.

Mas o rosto nunca aparecia perfeitamente de frente.

“Você sabia que procuraríamos Caetano”, disse Marina.

“Porque ele era o culpado perfeito.”

Marcelo finalmente levantou as mãos.

“Caetano é culpado.”

“Pelo que fez onze anos atrás”, respondeu ela. “Não necessariamente pelo que está acontecendo agora.”

Lívia puxou a manga de Marina.

“Minha mãe chamava ele de homem do relógio.”


Marina se abaixou.

“Quem?”

Lívia apontou para Marcelo.

Todos olharam para o pulso dele.

Um relógio antigo de aço.

Marcelo cobriu-o instintivamente com a outra mão.

Adriano reconheceu o modelo.

Pertencera a Augusto Valente.

“Meu pai deu isso para você.”

Marcelo olhou para o relógio.


“Ele confiava em mim.”

“Não.”

Adriano fechou lentamente o notebook.

“Ele estava investigando você.”

A frase fez Marcelo erguer os olhos.

Marina abriu novamente o documento AUGUSTO_FINAL.

“‘Procure a pessoa que aprovou a auditoria final de Roberto Almeida.’”

Ela girou a tela.

Na fotografia do relatório, a assinatura estava ali.

**Marcelo Siqueira.**


Na época, ele não era diretor de segurança.

Era analista da empresa responsável pela auditoria externa da Fundação Valente.

Adriano sentiu uma raiva fria.

“Você entrou na minha empresa depois de ajudar a destruir Roberto Almeida.”

Marcelo respirou fundo.

“Eu sobrevivi.”

“À custa de quem?”

“Você não entende.”

“Então explique.”

Marcelo olhou para Marina.


“Seu pai encontrou inconsistências que nunca deveria ter encontrado.”

Marina ficou imóvel.

“E você aprovou a fraude.”

“Eu assinei um relatório.”

“Que acabou com a vida dele.”

“Vicente Valente não aceitava recusas.”

Adriano deu um passo.

“Meu avô morreu há nove anos.”

Marcelo não respondeu.

“E Helena morreu há quatro meses.”


Silêncio.

Foi tudo de que Marina precisou.

“Você continuou.”

Marcelo fechou os olhos.

“Depois da morte de Vicente, a rede já era grande demais para simplesmente desaparecer.”

“Então você tomou o controle.”

“Não.”

A resposta veio rápida.

“Eu mantive as coisas funcionando.”

Adriano quase riu.


“Você diz isso como se fosse uma empresa.”

“Era exatamente isso.”

Marcelo finalmente perdeu a calma.

“Empresas de fachada, contratos, gente comprada, políticos, intermediários. Vicente construiu uma máquina. Quando ele morreu, dezenas de pessoas teriam caído se alguém abrisse os arquivos.”

“Então você protegeu a máquina.”

“Protegi a mim mesmo.”

Marina apertou os punhos.

“E matou Helena?”

Marcelo olhou para Lívia.

Esse olhar respondeu antes de qualquer palavra.

Rebeca apareceu no corredor naquele instante.

Viu a cena.

Viu Lívia escondida atrás de Marina.

Viu Marcelo.

Seu rosto se transformou.

“Foi você.”

Marcelo virou-se.

Rebeca começou a tremer.

“Eu vi você no funeral.”

Adriano olhou para ela.

“O quê?”

“Ele ficou do outro lado da rua. Helena tinha dito que, se aquele homem aparecesse perto de nós, eu deveria pegar Lívia e desaparecer.”

Marcelo deu um passo para trás.

O segurança fechou o caminho.

Marina encarou-o.

“O acidente de Helena.”

Marcelo não negou.

“Ela havia marcado uma reunião.”

“Com quem?”

“Augusto deixou instruções para que, se alguma coisa acontecesse com ele, certos documentos fossem entregues a Helena.”

Adriano sentiu o chão desaparecer sob os pés.

“Meu pai não morreu de infarto.”

Marcelo desviou os olhos.

“Eu não toquei nele.”

“Mas sabe quem tocou.”

Silêncio.

“Quem?”

Marcelo respirou fundo.

“Augusto estava doente. Nós só garantimos que ele não tivesse tempo de mudar o que já havia colocado em movimento.”

Marina empalideceu.

Adriano avançou, mas o segurança o segurou.

“Não.”

Marina apontou para o computador.

“Precisamos dele falando.”

Adriano parou.

Ela estava certa.

Uma confissão incompleta não bastava.

Marcelo percebeu.

E sorriu.

“Vocês acham que um vídeo antigo e algumas planilhas vão derrubar isso?”

Marina não respondeu.

Abriu os arquivos do cartão de memória.

Havia um último documento que ainda não tinham analisado.

**ENTREGA_FINAL.pdf**

Ela abriu.

A primeira página continha uma lista de contas.

A segunda, nomes de empresas.

Na terceira havia instruções de Helena.

Marina leu em silêncio.

Depois ficou imóvel.

Adriano percebeu.

“O quê?”

Ela virou a tela.

Helena havia enviado cópias criptografadas de tudo para três destinos diferentes.

Um deles era um escritório de advocacia.

O segundo, uma redação de jornal.

O terceiro—

Adriano leu.

“Ministério Público.”

Marcelo perdeu a cor.

Marina continuou lendo.

“Havia uma condição.”

“Qual?”

“Os arquivos só seriam liberados se uma chave digital específica fosse ativada.”

Adriano olhou para o cartão de memória.

“Esta?”

Marina balançou a cabeça.

Então olhou para o coelho de Lívia.

“Não.”

Lívia arregalou os olhos.

Rebeca pegou o brinquedo delicadamente.

Marina examinou a costura.

Além do espaço onde estivera o cartão, havia outro compartimento.

Dentro dele, quase escondido no enchimento, estava um pequeno dispositivo preto.

Marcelo ficou completamente imóvel.

Adriano percebeu.

“Você sabe o que é.”

Marcelo não respondeu.

Marina apertou o botão lateral.

Uma luz verde acendeu.

O celular de Adriano vibrou.

Depois o de Marina.

Depois o de Marcelo.

Uma mensagem automática apareceu na tela.

**PACOTE LIBERADO. ENTREGA CONFIRMADA.**

Marcelo avançou.

O segurança o derrubou antes que alcançasse a mesa.

Ele caiu de joelhos.

Pela primeira vez, o medo substituiu sua arrogância.

“Vocês não sabem o que fizeram.”

Marina olhou para ele.

“Não.”

Sua voz estava firme.

“Mas você sabe.”

Adriano pegou o telefone.

Havia outra notificação.

Desta vez, de um número desconhecido.

Uma fotografia fora anexada.

Mostrava Caetano Valente sentado diante de dois promotores.

Abaixo havia apenas uma frase:

**Ele decidiu falar.**

Adriano ergueu os olhos.

A guerra que sua família esconderia durante onze anos finalmente havia saído das mãos deles.

E, pela primeira vez, não havia mais como enterrá-la.

**Continua — clique na Parte 9 para continuar lendo.**

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