Entretenimento

Voltei mais cedo de uma viagem e encontrei minha filha de nove anos trancada numa despensa — então ela disse que sua mãe a obrigava a se chamar Emilly

Gustavo carregou Sofia nos braços, passando pelos convidados que o encaravam, sem dizer mais uma palavra. Vanessa o seguiu até a porta, sussurrando:

— Você está me humilhando.

Ele olhou para trás.

— Não — respondeu. — Você fez isso sozinha.

No hospital, a verdade começou a surgir aos poucos.

Desidratação.

Desnutrição.

Hematomas em diferentes estágios de cicatrização.

E algo ainda pior.

Quando a enfermeira perguntou o nome completo de Sofia, ela hesitou.


— Sofia Almeida — sussurrou.

Então começou a chorar.

— A mamãe diz que agora eu sou Emilly.

Gustavo sentiu como se o chão tivesse se inclinado sob seus pés.

Enquanto Sofia dormia sob um cobertor quente, uma assistente social entregou a ele uma pasta encontrada na mochila escolar da menina. Dentro havia cópias de formulários, assinaturas falsificadas e uma nova certidão de nascimento com o nome Emilly Valente.

Vanessa havia transferido Sofia para outra escola usando uma identidade falsa.

Ela havia declarado Gustavo como morto.

Chegara até mesmo a alterar prontuários médicos.

Gustavo ligou para seu advogado.

Em menos de uma hora, eles tiveram acesso a contas que ele jamais havia visto.


O falecido avô de Sofia havia deixado para ela um fundo patrimonial de quase R$ 4,8 milhões.

Mais de R$ 1,6 milhão já havia desaparecido.

Reformas luxuosas.

Roupas de grife.

Jantares particulares.

A festa que acontecia em sua casa naquela noite havia sido paga com a herança de Sofia.

As mãos de Gustavo tremiam enquanto ele percorria as transações na tela.

Então encontrou algo registrado dois anos antes.

Uma petição afirmando que Sofia havia sido abandonada pelo pai biológico.

No final do documento estava a assinatura dele.


Falsificada.

As portas do hospital se abriram, e dois investigadores entraram.

— Sr. Almeida — disse um deles —, precisamos falar com sua esposa.

— Ela está em casa.

A expressão do investigador ficou séria.

— Não, ela não está.

Gustavo se levantou.

— Como assim?

— Quando os policiais chegaram, os convidados já tinham ido embora. Vanessa também.

O segundo investigador colocou uma fotografia sobre a mesa.


A imagem mostrava Vanessa passando por um controle de segurança no aeroporto menos de vinte minutos antes.

Ao lado dela estava um homem que Gustavo reconheceu imediatamente: seu irmão, Daniel, o administrador responsável pelo patrimônio deixado para Sofia.

Sofia se mexeu na cama e sussurrou:

— Papai?

Gustavo correu para o lado dela.

Sofia abriu os olhos.

— A mamãe disse que o tio Daniel não é meu tio de verdade.

Gustavo ficou imóvel.

— Então quem ele é?

Sofia virou os olhos para a janela escura.


— Ele é o homem que diz que meu pai de verdade ainda está vivo.
**Continua — clique na Parte 3 para continuar lendo.**

No comments yet