Um desconhecido me pediu para fingir que eu estava dormindo no ombro dele a 9 mil metros de altitude — e eu aceitei sem saber que ele era um bilionário se escondendo do mundo inteiro. Quando pousamos em São Paulo, a equipe de segurança dele já estava nos esperando, alguém tinha descoberto minha identidade e ele me encarava como se aquele favor inocente que eu havia feito tivesse colocado minha filha e eu em perigo.
Eu tinha embarcado naquele voo com minha filha de onze meses, Ana, duas malas e o pouco que ainda restava da minha dignidade depois que meu casamento desmoronou. Meu ex-marido já tinha seguido em frente, enquanto eu tentava reconstruir uma vida para mim e para minha bebê.
O voo estava lotado, e eu já estava exausta antes mesmo de decolarmos.
Quando um passageiro começou a reclamar em voz alta por ter sido colocado perto de um bebê, senti todos os olhares se voltarem para mim. Antes que eu pudesse me defender, o homem sentado ao meu lado disse com toda a calma:
— Ela tem tanto direito de estar aqui quanto qualquer outra pessoa.
A cabine ficou em silêncio.
O nome dele era Marcelo. Ele não era espalhafatoso, arrogante nem fazia questão de chamar atenção. Simplesmente me ajudou quando precisei, fez Ana dar risadinhas e me ouviu falar de um jeito que ninguém me ouvia havia anos.
Pela primeira vez desde o fim do meu casamento, quase consegui esquecer o quanto minha vida tinha desmoronado.
Foi então que percebi que algumas pessoas estavam olhando para ele.
Umas cochichavam entre si. Outras erguiam discretamente os celulares, apontando as câmeras em nossa direção.
A expressão tranquila de Marcelo desapareceu.
Ele se inclinou para mais perto de mim.
— Posso te pedir um favor meio estranho?
— Que tipo de favor?
— Você poderia fingir que adormeceu no meu ombro?
Fiquei olhando para ele, certa de que tinha ouvido errado.
— Você quer que eu faça o quê?
— Por favor.
Havia algo nos olhos dele que me impediu de rir.
Medo de verdade.
Então apoiei a cabeça no ombro dele e fechei os olhos.
O efeito foi imediato.
Os cochichos diminuíram. Os celulares desapareceram. Pelo visto, as pessoas concluíram que éramos apenas um casal exausto viajando com a nossa bebê, e Marcelo finalmente relaxou.
— Obrigado — sussurrou ele.
Eu pretendia me afastar depois de um minuto.
Mas acabei pegando no sono de verdade.
Quando acordei, Ana dormia tranquilamente, e Marcelo continuava sentado exatamente na mesma posição.
— Você ficou assim esse tempo todo?
— Não queria acordar nenhuma das duas.
— Você deve ter ficado desconfortável.
Ele sorriu.
— Já passei por coisas piores.
Pouco antes do pouso, uma comissária de bordo parou ao nosso lado.
— Sr. Albuquerque, sua equipe de segurança estará esperando pelo senhor assim que pousarmos.
Virei o rosto para ele.
— Equipe de segurança?
Marcelo suspirou.
— Você realmente não faz ideia de quem eu sou, não é?
Balancei a cabeça.
— E a Albuquerque Tecnologia? Já ouviu falar?
Meu estômago se contraiu.
Todo mundo conhecia aquele nome. Era uma das maiores empresas de tecnologia do Brasil.
Olhei fixamente para ele.
— Você é o dono da Albuquerque Tecnologia?
Ele assentiu.
O desconhecido discreto que tinha me defendido, brincado com minha filha e deixado que eu dormisse em seu ombro era um bilionário.
Então Marcelo disse algo que eu jamais esperava ouvir.
— Você é a primeira pessoa em anos que fala comigo como se eu fosse apenas outro ser humano.
Antes que eu pudesse responder, o celular dele vibrou.
Ele olhou para a tela.
Todo o calor desapareceu de seu rosto.
— O que aconteceu? — perguntei.
Marcelo não respondeu imediatamente. Olhou para Ana e depois para a parte da frente do avião, onde dois homens de terno escuro já estavam esperando.
Por fim, voltou os olhos para mim.
— Elisa, escute com atenção. Quando sairmos deste avião, fique ao meu lado e não fale com ninguém.
Meu coração começou a disparar.
— Por quê?
Ele me mostrou a mensagem no celular.
Havia uma fotografia minha segurando Ana em frente à minha antiga casa — uma fotografia tirada naquela mesma manhã.
Senti o sangue gelar nas veias.
Então Marcelo olhou diretamente nos meus olhos.
— Elisa... alguém encontrou você.
**Continua — clique na Parte 2 para continuar lendo.**







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