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Meu Pai Dizia Que Eu Era “Só Uma Enfermeira” — Até Uma General De Duas Estrelas Me Chamá-Lo Pelo Meu Verdadeiro Título

Minha mãe tentou recuperar o telefone, mas eu não o entreguei imediatamente. Continuei olhando para aquela mensagem, lendo as mesmas palavras repetidas vezes, como se em algum momento elas pudessem mudar.

“Faça com que Clara não chegue ao aeroporto.”

Não era uma ameaça vaga. Alguém sabia exatamente para onde eu estava indo.

E, pior, alguém sabia que eu havia acabado de receber uma ordem para partir.

— Mãe — falei devagar. — Quem é essa pessoa?

Ela abriu a boca, mas nenhum som saiu.

Meu pai se aproximou.

— O que está acontecendo aqui?

Helena estendeu a mão.

— Senhora Monteiro, entregue o telefone.


Minha mãe obedeceu.

A general examinou a mensagem, depois levantou os olhos.

— Quando começou?

Minha mãe ficou pálida.

— Há seis anos.

Meu pai recuou.

— Seis anos?

Olhei para ela sem conseguir acreditar.

— Você sabia?

Ela fechou os olhos por um instante.


— Eu sabia que havia algo errado. Não sabia exatamente o quê.

— E nunca me contou?

— Porque eu estava tentando proteger você.

Soltei uma risada curta, sem humor.

— Proteger de quem?

Ela não respondeu.

Helena interveio.

— Não temos tempo para isso. Precisamos sair daqui.

Meu pai segurou meu braço.

— Você não vai embora sem me explicar o que está acontecendo.


Olhei para a mão dele sobre meu braço.

Ele percebeu e soltou imediatamente.

— Durante anos — disse eu — você contou a todos que eu era apenas uma enfermeira. Hoje descobriu que eu sou coronel. Agora descobrimos que nossa própria família recebeu uma ordem para impedir que eu chegue ao aeroporto. Acho que você deveria começar a fazer perguntas para si mesmo, pai.

Ele ficou imóvel.

Natanael, que até então permanecera em silêncio, levantou-se.

— Clara, espere.

Olhei para ele.

— O quê?

Ele hesitou.

— Eu também recebi mensagens.


Meu coração apertou.

— Que tipo de mensagens?

Natanael tirou o celular do bolso.

— Nas últimas três semanas. Números diferentes. Sempre diziam para eu observar você.

Helena imediatamente se aproximou.

— Por que não comunicou à segurança?

Natanael engoliu em seco.

— Porque achei que fosse algum tipo de brincadeira.

Ele abriu a conversa.

Havia dezenas de mensagens.


Algumas eram apenas fotografias.

Eu saindo de uma instalação militar.

Eu entrando em um carro oficial.

Eu conversando com outros oficiais.

Uma fotografia me fez parar.

Era antiga.

Eu estava diante de um hangar, usando uniforme de serviço.

Ao meu lado estava um homem que eu reconhecia.

Capitão Rafael Duarte.

Ele havia desaparecido durante uma missão relacionada à Operação Ícaro.


A fotografia parecia ter sido tirada poucas horas antes de seu desaparecimento.

— De onde você conseguiu isso? — perguntei.

Natanael balançou a cabeça.

— Mandaram para mim.

Helena pegou o telefone.

Seu rosto ficou rígido.

— Esta imagem nunca foi divulgada.

— Então alguém de dentro enviou — falei.

— Sim.

Nesse momento, um garçom apareceu discretamente ao lado da mesa.


— Senhora, seu carro está pronto.

Helena olhou para ele.

— Eu não pedi carro.

O homem congelou.

— Disseram que era para a coronel.

Helena se aproximou.

— Quem deu a ordem?

— Um senhor da administração.

— Nome?

O garçom hesitou.


— Não sei, senhora.

Helena olhou para mim.

— Ninguém sai por essa entrada.

Meu pai franziu a testa.

— Você acha que o clube está envolvido?

— Não sei — respondeu Helena. — Mas alguém sabia que Clara estaria aqui. Alguém sabia da ordem. E alguém tentou tirá-la daqui antes de chegarmos ao aeroporto.

Meu estômago se contraiu.

— Existe outra saída?

— Existe uma saída de serviço nos fundos — respondeu meu pai.

Helena assentiu.


— Vamos por lá.

Minha mãe segurou meu pulso.

— Clara, espere.

Virei-me.

Ela estava chorando.

Não como alguém assustado naquele momento.

Como alguém que carregava aquele medo havia anos.

— Existe uma coisa que você precisa saber antes de partir.

Helena ficou imóvel.

Minha mãe olhou para meu pai, depois para Natanael.


— Seu pai não sabe disso.

Geraldo empalideceu.

— O que eu não sei?

Minha mãe apertou os lábios.

— Quando você entrou para a Força Aérea, seis anos atrás, não foi por acaso que recebeu aquela primeira designação médica.

Fiquei em silêncio.

— O quê?

Ela respirou fundo.

— Seu nome já estava em uma lista antes mesmo de você terminar a formação.

— Que lista?

Minha mãe olhou diretamente para mim.

— A mesma lista que continha o nome de Rafael Duarte.

Helena deu um passo à frente.

— Senhora Monteiro, precisamos sair agora.

Minha mãe segurou minha mão com força.

— Clara, você não foi escolhida para a Operação Ícaro por causa da sua especialização.

Meu coração começou a bater tão forte que quase não ouvi a frase seguinte.

— Você foi escolhida porque Rafael pediu pessoalmente que, se alguma coisa acontecesse com ele, você fosse a médica responsável por encontrá-lo.

Olhei para Helena.

Ela não negou.

— General... Rafael está morto?

Helena ficou em silêncio por alguns segundos.

Então seu telefone tocou.

Ela atendeu.

Ouviu apenas uma frase do outro lado.

Seu rosto perdeu completamente a cor.

— Repita.

Ela escutou novamente.

Depois desligou.

Olhou para mim.

— Acabamos de receber confirmação de uma aeronave não identificada entrando no espaço aéreo de Brasília.

Fez uma pausa.

— E o código de identificação transmitido pela aeronave pertence a Rafael Duarte.

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