Entretenimento

Meu Pai Dizia Que Eu Era “Só Uma Enfermeira” — Até Uma General De Duas Estrelas Me Chamá-Lo Pelo Meu Verdadeiro Título

Meu pai já esteve aqui hoje.

A frase permaneceu na tela enquanto eu olhava para Geraldo. Ele percebeu imediatamente que eu havia recebido alguma coisa.

— O que foi?

Não respondi.

Helena se aproximou.

— Clara, precisamos embarcar agora.

— Não.

Ela parou.

— Não?

Virei o telefone para ela.


Helena leu a mensagem e ficou séria.

— Você não vai ao hangar 4 sozinha.

— A mensagem diz que eu devo ir sozinha.

— Justamente por isso você não irá.

Rafael aproximou-se.

— Helena está certa.

Olhei para ele.

— Você acabou de me dizer que Beatriz foi ao aeroporto para me encontrar.

— Sim.

— Então por que ela não veio até aqui?


Rafael hesitou.

— Porque talvez ela não esteja tentando encontrar você.

Senti um frio no estômago.

— Então o que ela quer?

— Quer descobrir se você ainda confia nas pessoas erradas.

Meu olhar voltou para meu pai.

Ele permaneceu em silêncio.

— Pai, você esteve no hangar 4 hoje?

Geraldo fechou os olhos.

— Estive.


Minha mãe levou a mão à boca.

— Geraldo...

— Eu precisava verificar uma coisa.

— O quê? — perguntei.

Ele demorou.

— O arquivo.

Helena se aproximou.

— Qual arquivo?

— O arquivo 17.

Meu coração disparou.


— Você tinha acesso?

— Não diretamente.

— Então como entrou?

Meu pai tirou um cartão antigo da carteira.

— Rafael me deu isso seis anos atrás.

Olhei para o cartão.

Havia uma identificação militar antiga e uma fotografia dele.

— Por que você nunca mostrou isso?

— Porque eu estava com medo.

— De quê?


Ele olhou para mim.

— De descobrir que Rafael estava certo.

— Sobre o quê?

Meu pai respirou profundamente.

— Sobre alguém da nossa família ter sido usado para esconder a verdade.

Minha mãe começou a chorar.

— Geraldo, não faça isso.

Ele virou-se para ela.

— Já passou da hora de contar tudo.

— Não aqui.


— Então onde?

Ela não respondeu.

Helena observava os dois.

— Estamos perdendo tempo.

Rafael apontou para o relógio.

— O aeroporto está a poucos minutos daqui.

Helena tomou uma decisão.

— Vamos todos.

Meu telefone vibrou novamente.

Outra mensagem.


**“Se Helena vier, Beatriz desaparece.”**

Depois outra.

**“Se Rafael vier, o arquivo será destruído.”**

E uma terceira.

**“Clara deve escolher.”**

Fechei os olhos.

Aquilo não era apenas uma armadilha.

Era um teste.

— Vou sozinha — disse.

Helena imediatamente negou.


— Não.

— Se formos todos, colocamos Beatriz em risco.

Rafael ficou pensativo.

— Ela tem razão.

Helena encarou-o.

— Você não pode estar falando sério.

— Se quem enviou as mensagens estiver observando, qualquer movimentação nossa pode ser interpretada como uma tentativa de captura.

— E você quer que ela entre sozinha em um hangar desconhecido?

Rafael olhou para mim.

— Não.


Ele retirou um pequeno transmissor do bolso e colocou na minha mão.

— Você não estará sozinha.

Helena percebeu o plano.

— Comunicação aberta.

— Exatamente — respondeu Rafael.

Olhei para meu pai.

— E você fica aqui.

Ele assentiu.

Minha mãe tentou se aproximar.

— Clara...


— Mãe, preciso saber de que lado você está.

Ela parou.

As lágrimas escorreram pelo rosto.

— Do seu.

— Então prove.

Ela não respondeu.

Virei-me e caminhei em direção ao helicóptero.

O voo até o aeroporto foi curto.

O céu de Brasília estava encoberto, e a luz da manhã havia perdido aquele brilho intenso de minutos antes.

Quando desci, o hangar 4 estava quase vazio.

Nenhum veículo militar.

Nenhum soldado.

A porta estava aberta.

Entrei.

— Clara — disse a voz de Helena pelo transmissor. — Estamos ouvindo.

— Entendido.

Caminhei lentamente.

O hangar cheirava a metal, combustível e poeira.

No fundo havia uma pequena sala de controle.

A porta estava entreaberta.

Empurrei.

Uma cadeira estava virada para a janela.

— Beatriz?

A cadeira girou lentamente.

Uma mulher apareceu.

Mais velha do que na fotografia.

Cabelos grisalhos presos atrás da cabeça.

Olhos cansados.

Mas vivos.

— Você cresceu — disse ela.

Parei.

— Você me conhece?

Beatriz sorriu tristemente.

— Conheço você desde antes de saber que seu nome estava na lista.

— Que lista?

Ela se levantou.

— A lista das pessoas que poderiam derrubar tudo.

— Quem criou a lista?

Beatriz olhou para o transmissor preso à minha roupa.

— Você não veio sozinha.

— Estou ouvindo você.

— Não é suficiente.

Ela caminhou até uma mesa.

Colocou sobre ela um pequeno envelope.

— Dentro está a autorização original da Operação Ícaro.

Meu coração acelerou.

— Quem assinou?

Beatriz olhou diretamente para mim.

— Sua mãe.

Meu corpo ficou imóvel.

— Não.

— Foi isso que ela fez para proteger você.

— Minha mãe autorizou a operação?

— Não exatamente.

Beatriz abriu o envelope.

— Ela assinou para entrar na operação como observadora e garantir que você nunca fosse usada como cobaia.

— Então por que esconderam isso?

— Porque alguém alterou o documento depois.

— Quem?

Beatriz olhou para a porta.

Seu rosto mudou.

— Não temos mais tempo.

Ouvi passos do lado de fora.

— Beatriz?

Ela apagou as luzes.

— Não diga meu nome.

A porta do hangar se abriu.

Vozes masculinas ecoaram no espaço.

— Coronel Monteiro?

Fiquei imóvel.

Beatriz sussurrou:

— Eles encontraram você.

Meu transmissor começou a emitir um ruído.

A voz de Helena desapareceu.

A comunicação havia sido cortada.

Então uma figura entrou na sala.

Reconheci o uniforme.

Mas não reconheci o homem.

Ele fechou a porta atrás de si.

— Coronel Clara Monteiro — disse calmamente. — Finalmente.

Olhei para Beatriz.

Ela estava pálida.

— Clara, não confie nele.

O homem sorriu.

— Sua mãe também disse isso.

Ele colocou um documento sobre a mesa.

E, quando vi a assinatura no final da página, meu sangue gelou.

Não era a assinatura da minha mãe.

Era a assinatura de Geraldo Monteiro.

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